ESTUDO
Nova tarifa dos EUA atinge 1,8% das exportações do agro baiano
Celulose para dissolução concentra 76% do valor afetado pelas novas alíquotas


As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos devem atingir diretamente 1,8% das exportações do agronegócio baiano, segundo estudo do Sistema Faeb/Senar. A maior parte dos produtos vendidos ao mercado norte-americano ficou fora da medida, mas cadeias como sisal, mel, pescados e madeira para dissolução entram no radar.
Entre julho e dezembro daquele ano, o agronegócio baiano movimentou US$ 3,6 bilhões em exportações. Os Estados Unidos responderam por US$ 222,54 milhões desse total, equivalente a 6,1% das vendas externas do setor.
Do valor exportado para o mercado norte-americano, 68% ficaram fora da nova cobrança por estarem incluídos na lista de exceções. Outros 29,1%, correspondentes a US$ 64,73 milhões, estarão sujeitos às tarifas, enquanto US$ 6,27 milhões ainda dependem de definição sobre o enquadramento.
Com isso, a parcela efetivamente exposta às novas medidas representa cerca de 1,8% de tudo que o agronegócio baiano exportou no período analisado.
Madeira concentra maior impacto
Entre os produtos que continuam com acesso favorecido ao mercado norte-americano estão a celulose convencional, com US$ 51,83 milhões exportados no período, a manteiga e o óleo de cacau, com US$ 38,68 milhões, e a manga, que movimentou US$ 31,46 milhões.
Também ficaram entre as exceções a água de coco, o cacau em pó e o café em grão.
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O cenário é diferente para a pasta química de madeira para dissolução. O produto movimentou US$ 49,43 milhões em vendas para os Estados Unidos no segundo semestre de 2025 e passou a estar sujeito a uma carga tarifária acumulada de até 37,5%.
A cadeia concentra aproximadamente 76% do valor das exportações do agronegócio baiano que serão diretamente afetadas pelas tarifas.
Produtos regionais entram na lista
O novo cenário também preocupa atividades com forte presença no interior da Bahia e elevada dependência do mercado norte-americano.
As exportações de cordéis de sisal, que somaram US$ 6,63 milhões no período, passam a receber uma tarifa adicional de 12,5%. Segundo estimativas apresentadas no estudo, entre 70% e 80% das vendas externas baianas do produto têm os Estados Unidos como destino.
O mel natural, com US$ 1,72 milhão exportado, e os pescados, que alcançaram US$ 3,45 milhões, também entram na cobrança adicional de 12,5%.
No caso dos pescados, 80,4% das vendas baianas destinadas ao mercado norte-americano foram atingidas pela medida.
Já os calçados de couro, que movimentaram US$ 2,75 milhões, e as uvas frescas, com US$ 1,55 milhão, podem enfrentar uma tarifa acumulada de até 37,5%.
Cenário mais severo teria impacto limitado
A assessoria econômica do Sistema Faeb/Senar também simulou um cenário de queda nas vendas para os Estados Unidos. Caso as exportações desses produtos recuassem 30%, a perda estimada seria de US$ 19,42 milhões.
Mesmo nessa hipótese, o impacto equivaleria a 0,53% das exportações totais do agronegócio baiano.
Para a entidade, os números indicam que a nova política tarifária não atinge de maneira uniforme o setor. Os efeitos tendem a se concentrar em determinadas cadeias produtivas e áreas do estado.
Entre as estratégias apontadas estão a busca por novos mercados consumidores, o fortalecimento das atividades mais dependentes das exportações para os Estados Unidos e medidas para ampliar a competitividade dos produtos baianos.


