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SALVADOR 4.7.7

IA e robótica viram realidade nas salas de aula para o futuro dos soteropolitanos

Segunda matéria da série mostra que educação é o segredo para Salvador subir no ranking de cidades inteligentes

Gustavo Zambianco

Por Gustavo Zambianco

24/03/2026 - 5:02 h

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Amanda Lins é estudante do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial no SENAI CIMATEC
Amanda Lins é estudante do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial no SENAI CIMATEC -

A inteligência de uma grande cidade não se mede apenas pela quantidade de sensores nas ruas ou pela velocidade da sua conexão de internet, mas também pela capacidade de preparar seus cidadãos para o amanhã. Prestes a completar 477 anos, Salvador vem entendendo que o título de Smart City só faz sentido se a tecnologia for exercida desde a base. Hoje, a lousa divide espaço com algoritmos e robótica, transformando as salas de aula em laboratórios onde o jovem soteropolitano passa a ser arquiteto da própria realidade digital.

Se ontem o Portal A TARDE revelou como os casarões do Comércio estão sendo reocupados por distritos de inovação, hoje, na terceira matéria da série "Salvador 4.7.7 — A Capital do Futuro", mostramos quem ocupará esses espaços. Do ensino de Inteligência Artificial (IA) na rede pública ao protagonismo global do novo Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia, a educação se consolida como o motor que conecta a ancestralidade da primeira capital ao mercado de trabalho do futuro.

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Conceitos da tecnologia estão cada vez mais presentes no dia a dia soteropolitano, a exemplo das IAs. Esse movimento gera uma necessidade de educar a população para compreender e fazer bom uso dessas funções. Iuri Rubim, assessor especial para IA na Educação da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), conversou com a reportagemsobre o ensino de novas vertentes da tecnologia nas escolas.

“Hoje temos um anexo da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) que é a BNCC Computação, que indica a necessidade da formação dos estudantes da educação básica, em compreenderem o que é esse mundo tecnológico”, confirma Iuri.

De acordo com Iuri, o ensino abrange pilares fundamentais que vão desde o entendimento do pensamento computacional e a gestão de dados até a lógica de funcionamento e operação dos algoritmos. O currículo busca desvendar como essas tecnologias operam na prática, priorizando, de forma transversal, o uso da ética dentro de uma cultura digital consciente e responsável.

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Tecnologia e educação lado a lado

À medida que as IAs se tornaram parte do cotidiano, integradas a aplicativos e dispositivos eletrônicos, a população precisou se adaptar e entender como fazer o melhor uso delas. Diante dessa realidade, a rede estadual de ensino da Bahia estruturou as “Diretrizes para Integração da Inteligência Artificial”, um conjunto de normas que, conforme explica Iuri Rubim, visa orientar o uso dessa tecnologia em sala de aula.

Tais diretrizes foram criadas, de acordo com o assessor, para ensinar o uso adequado das IAs para pessoas em processo de formação. Além disso, há um esforço massivo de capacitação de professores para esse tema. "Temos mais de 1.000 professores inscritos numa formação para IA que começou neste ano", aponta Iuri.

Ainda no ramo de ensino dessas tecnologias, o Portal A TARDE falou com Liou Chin, gerente executiva de computação do SENAI CIMATEC e Murilo Ribeiro, gerente da área tecnológica e de IA também da instituição. Para eles, o futuro de Salvador é visto como um movimento de transformação digital onde a educação tecnológica serve de base para gerar ciência, novos negócios e retorno para a sociedade.

Liou Chin, gerente executiva de computação do SENAI CIMATEC e Murilo Ribeiro, gerente da área tecnológica e de IA também do SENAI CIMATEC
Liou Chin, gerente executiva de computação do SENAI CIMATEC e Murilo Ribeiro, gerente da área tecnológica e de IA também do SENAI CIMATEC | Foto: Gustavo Zambianco | Ag. A TARDE

Segundo os especialistas, a capacitação em áreas como a de Inteligência Artificial permitirá criar uma sociedade mais crítica, além de formar especialistas que desenvolvam as soluções tecnológicas do futuro.

"A nossa missão e visão são de que a educação está como base, que gera a ciência, que gera a tecnologia, que gera negócios e que esse negócio retorne para a sociedade", afirma Murilo Ribeiro

Crescimento de Salvador com o ensino da tecnologia

Atualmente Salvador se encontra em 9º lugar na lista de cidades inteligentes do Brasil. Atecnologia e a educação são dois pontos avaliados para o resultado final. Com isso, foi levantado o seguinte questionamento: onde esses dois pontos convergem?

Um dos exemplos de instituição que unem a tecnologia, educação e visão de futuro é o CIMATEC Digital, um campus construído no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. O espaço tem como objetivo atrair empresas de base tecnológica e criativa, produzir talentos na região, exportar tecnologias e gerar um impacto social através da recuperação de uma área historicamente importante que hoje passa por um processo de restauração.

Um dos programas gratuitos conduzidos pelo SENAI CIMATEC é o "Ford <Enter>", gerado por uma parceria entre a instituição de ensino com a Rede Cidadã e a montadora, focada em jovens em situação de vulnerabilidade social. No currículo, o grande destaque é a qualificação prática em áreas que o mercado de tecnologia mais busca hoje, como desenvolvimento front-end, back-end e, claro, o uso de IAs.

"O Ford Enter é um programa que a gente vem executando junto com a Ford Philanthropy e também com a Rede Cidadã, que tem como objetivo criar condições, novos caminhos profissionais para jovens em situação de vulnerabilidade social", afirma a gerente executiva de produção, Liou Chin.

O rosto do futuro: a nova geração que aposta na IA

Com o avanço tecnológico, cada vez mais pessoas passam a olhar para essas áreas e a enxergar nelas uma carreira promissora. Um exemplo dessa nova geração é Amanda Lins, estudante do 6° semestre de Ciência de Dados e Inteligência Artificial (CDIA) no Senai Cimatec. Ao Portal A TARDE, ela contou como começou sua trajetória e explicou que a escolha do curso foi estratégica, já pensando no papel central da tecnologia nos próximos anos.

“Eu lembro que dormi um dia e acordei pensando que, no futuro, a inteligência artificial vai ser um recurso que muitas pessoas vão utilizar”, diz ela, que pretende se tornar uma líder técnica "para implantar projetos de inteligência artificial envolvendo impacto social”.

Para além da técnica, a estudante reflete sobre o impacto desses conhecimentos em Salvador e no Brasil, defendendo que o ponto crucial é o acesso. “O que vejo de mais necessário é a democratização dessas tecnologias para que as pessoas as utilizem de forma correta. A inteligência artificial envolve discussões, principalmente referentes à parte ética”, opinou.

Apesar de apoiar o uso das ferramentas inteligentes no cotidiano, Amanda faz uma ressalva importante: o papel humano é insubstituível. “Eu utilizo essas tecnologias como ferramenta e não como uma substituta da minha identidade. Essas ferramentas podem fazer o nosso papel, mas não têm a identidade que cada ser humano tem”, pontua.

Olhando para frente, Amanda planeja se tornar uma líder técnica focada na implementação de projetos de IA com impacto social. Mais do que uma meta pessoal, ela nutre o desejo de ver Salvador consolidada como um epicentro tecnológico e criativo no país. “Salvador é uma cidade que respira criatividade, e que as pessoas sabem inovar de uma forma leve. Seria incrível poder ver a criatividade de Salvador aplicada com tecnologia”, conclui.

Nesta quarta-feira, 25, na nova matéria da série "Salvador 4.7.7 — A Capital do Futuro", vamos explorar o Novo Horizonte Urbano. Você vai ver como a expansão para a Orla e para a região da Paralela e Piatã está sendo guiada pelo novo PDDU e como incentivos como o IPTU Verde e Amarelo estão transformando o sonho da casa própria em um modelo de construção inteligente e ecologicamente correta.

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