OPINIÃO
Artigo: A geração que transformou a vida em desempenho
O que fazer para simplesmente desacelerar sem sentir tanta culpa?


A lógica do desempenho parece ter convertido tudo em objeto de mensuração. Há métrica para o sono, os treinos, as notas e até para a felicidade. Se alguém desacelera, surge logo a sensação de estar ficando para trás.
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Uma ideia alimentada pela constante comparação de resultados. Ocorre na escola, nas redes sociais, nas relações pessoais e no jeito de aproveitar a vida. Existe sempre alguém acordando mais cedo, estudando mais horas, treinando mais pesado ou vivendo algo aparentemente melhor.
A competição gera culpa, pois passamos a acreditar que o nosso valor pessoal está estritamente ligado à performance.
Somos jovens, às vezes exaustos, tentando parecer motivados o tempo inteiro. Existe uma pressão silenciosa para transformar qualquer momento em evolução pessoal. Se você não está estudando, deveria estar treinando. Se não está treinando, deveria estar produzindo. E, quando finalmente descansa, sente que está desperdiçando tempo.
Aqui em casa não é diferente. Se minha mãe me vê parado, pergunta o que estou fazendo com o meu tempo. Sei que ela quer o meu bem, mas a cobrança vai além da família: vem de dentro. Talvez seja por isso que jovens têm tanta dificuldade em simplesmente parar, sem sentir ansiedade.
Às vezes me pego antecipando problemas, pensando no mesmo assunto por horas ou sofrendo para começar e terminar algo. Inicio uma tarefa e, quando percebo, já mudei o foco e parti para outra, deixando a anterior pelo caminho.
Foi nesse turbilhão que descobri na cozinha um jeito de limpar minha mente. Estar focado em cortar pedacinhos idênticos de cebola, controlar a quantidade de temperos e testar novas receitas virou quase uma terapia. Descobri o prazer de fazer um pão na chapa perfeito e um ovo de gema bem molinha. Ou de preparar a própria massa e perceber como o resultado fica infinitamente melhor do que o daquele pacote de macarrão instantâneo.
A sensação boa não se restringe ao resultado final. Percebi que a cozinha me relaxa porque ali eu me afasto da obsessão contemporânea da medição de desempenhos.
Não estou buscando um selo de alta qualidade, não tenho uma meta a ser atingida e nem estou me comparando a ninguém. É um espaço de superação pessoal, mas sem a neurose do julgamento externo. É um remédio poderoso contra a sensação permanente de cobrança, permitindo que eu me sinta livre de culpa.
E você? O que faz para fugir da correria e das cobranças do dia a dia? Já parou para pensar nisso?
*Pedro Correia é estudante do 3º do Ensino Médio.


