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Não existe bolsonarismo moderado

Confira o artigo de Cláudio André de Souza

Cláudio André de Souza*

Por Cláudio André de Souza*

02/03/2026 - 3:23 h

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Imagem ilustrativa da imagem Não existe bolsonarismo moderado
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A direita brasileira passou três anos tentando convencer o eleitorado — e a si mesma — de que havia um bolsonarismo moderado com quem se podia negociar. Após o 8 de Janeiro, lideranças como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. tiveram a chance histórica de romper com o golpismo e se reconstruir como um polo político-partidário democrático, mas o preço dessa omissão calculada chegou nas pesquisas desta semana.

A pesquisa AtlasIntel divulgada na quarta (25) apresenta dois dados que precisam ser lidos em conjunto. O primeiro é a viabilização de Flávio Bolsonaro: lançado pelo pai de dentro da cadeia, o senador aparece numericamente à frente de Lula numa simulação de segundo turno — 46,3% contra 46,2% —, uma virada de 12 pontos percentuais em apenas 69 dias. Em dezembro, Flávio marcava 41% contra 53% do presidente.

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O segundo dado aponta que 51,5% dos eleitores desaprovam o governo Lula e a avaliação positiva despencou quase cinco pontos em um mês, sendo que apenas 42,7% consideram o governo bom ou ótimo. Outro dado importante é que a faixa da avaliação regular, por sua vez, cresceu 4,5 pontos. Há, portanto, um deslocamento de parte do eleitorado satisfeito para uma posição mais crítica em relação ao lulismo.

O que isso quer dizer? Que o senador Flávio Bolsonaro chegou onde está não por mérito próprio, mas porque a direita nunca fez a ruptura necessária após o maior ataque à democracia desde o fim da ditadura militar. Sem dúvidas, passaria a operar uma agenda bolsonarista 2.0 de desmonte das instituições com boas chances de ter maioria golpista no Senado, abrindo caminho para impeachments de ministros do STF e revisões constitucionais que podem mesclar um neoliberalismo “sabor democracia” com derretimento institucional aberto, polarizando cada fio de cabelo da sociedade.

A direita que não encontrou interesses mais nobres para romper com Bolsonaro segue agora refém do seu capital político, negociando espaços e estratégias eleitorais na defensiva, restando assim disputas residuais quanto ao que ser feito nas eleições presidenciais, o que afeta o palanque nos estados.

Uma situação esdrúxula envolve as articulações do ex-prefeito de Salvador ACM Neto na corrida ao governo baiano, que, ao passo que sela uma aliança bolsonarista com o PL liderado por João Roma, se coloca logo de cara dentro do palanque nacional de Flávio Bolsonaro enquanto a grande parte do eleitorado baiano é lulista, confirmando que a cumplicidade da direita com o bolsonarismo se tornou um vício de origem que a limita de forma estrutural a médio prazo. Depois não reclamem que a força da extrema direita é culpa do lulismo. A tentativa de golpe em 2023 foi uma oportunidade desperdiçada da direita caminhar ao lado da democracia.

*Cláudio André de Souza é professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]

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Tags:

Avaliação do Governo bolsonarismo Democracia e Golpismo Direita Brasileira eleições 2023 polarização política

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