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O recado da arquibancada: permanência de Jair Ventura afasta a torcida do Barradão
Trabalho do treinador bateu no teto e diretoria precisa tomar uma decisão


O ano de 2026 estava bom demais para ser verdade para o torcedor do Vitória. Título da Copa do Nordeste, ótima campanha na Copa do Brasil e um primeiro turno de Série A tranquilo, sem a sombra do Z-4. Só tem um detalhe: o ano tem doze meses, não seis.
A hora de acordar para a realidade bateu à porta. Desde o retorno após a Copa do Mundo, o trabalho de Jair Ventura estagnou — ou melhor, regrediu. Ele até tenta, mas, em campo, o time simplesmente não responde: cansa rápido, vira presa fácil para os adversários (principalmente no segundo tempo) e cobra um preço alto por isso: a sinergia da torcida com a equipe.
Outrora elogiada pelas festas marcantes nos jogos, parte da torcida resolveu dar um “gelo”. Prova disso é que os públicos das duas últimas partidas no Barradão foram os menores do Leão nesta Série A. Por mais que Jair não seja o único culpado pela situação, sua permanência impacta diretamente esse ambiente.
É preciso entender a gravidade desse distanciamento. A sinergia com a arquibancada não foi um mero detalhe na reconstrução do Vitória; foi o fator principal de um clube que parecia fadado a acabar.
Quando a torcida se afasta, o Vitória perde seu maior diferencial competitivo. Vale a pena sacrificar essa atmosfera no Barradão para defender a convicção em um trabalho que claramente estagnou?
A Data FIFA como oportunidade
O trabalho de Jair bateu no teto. Valeu, foi bom, adeus. Como o time não vence fora de casa, a permanência do treinador se sustentava no compromisso de que o Barradão e a torcida garantiriam os pontos. Pois bem, acabou: são apenas 7 pontos conquistados em 27 disputados no segundo turno e três derrotas nos últimos quatro jogos, em casa.
A diretoria não pode cometer o mesmo erro de 2025, quando teve a oportunidade de agir, mas esperou a partida contra o Confiança para constatar o óbvio: Carpini precisava ser demitido.
Volto a dizer, a culpa não é exclusiva de Jair. Quem contrata tem culpa, os jogadores têm culpa e quem cuida da preparação física — que vê o time definhar no segundo tempo — também tem culpa. Mas alguma atitude precisa ser tomada.
Vai esperar mais 15 dias de treino para arriscar tudo contra a Chapecoense? Vai assistir aos jogadores continuarem abaixo, errando passes de meio metro e vivendo de "chutão" ao menor sinal de cansaço? Ou vai voltar a usar o discurso do calendário inchado, enquanto rival com calendário ainda pior consegue vencer?
O torcedor cansou de ser o único salvador
A chance de rebaixamento ainda é considerada baixa, mas, a apenas quatro pontos do Z-4, a torcida anseia por um ano de paz — e não por ter que vestir a capa de herói mais uma vez.
Pode ter certeza de que, se precisar, o torcedor vai lotar o Barradão, gritar e apoiar, com Jair no banco ou não. Mas esse distanciamento atual é um recado claro: a arquibancada não quer mais ter que ser a "bala de prata" para o time fugir do Z-4 mais uma vez.
O que o torcedor quer, finalmente, é ir ao Barradão pensando em objetivos maiores, e não com a calculadora na mão. Se a opção da diretoria for manter Jair Ventura, que fique bem claro: escapar do Z-4 não será atestado de sucesso ou convicção de trabalho, mas a mais básica das obrigações.