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Lula venceu em 98,9% das cidades nordestinas em 2022
CASAMENTO NÃO CONSENTIDO

Todo mundo quer um “pedaço” de Lula no Nordeste

Voto casado com o petista vira alvo de disputa entre candidatos aos governos estaduais da região

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Leo Almeida
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Os fenômenos “Cirula”, “LulaNeto”, “Luquel”, entre outros, têm forçado a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a realizar uma jornada dupla no período eleitoral. É inegável a força do petista na região Nordeste e, em razão disso, os adversários de seu grupo político têm se aproveitado do voto casado com Lula para superar os candidatos apoiados pelo próprio presidente. É o ditado: voto não se nega.

A série de reportagens da Folha de S.Paulo sobre o perfil do eleitorado nordestino tem evidenciado o “casamento” entre Lula e os candidatos locais rivais. Nesta semana, inclusive, foi mostrado um comerciante do interior de Pernambuco declarando voto em Lula e na candidata à reeleição no estado, Raquel Lyra (PSD). Em Pernambuco, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), é o nome “lulista” para a disputa estadual.

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Na Bahia, por exemplo, já houve casos curiosos como a distribuição de santinhos e até a divulgação de jingles com o voto casado entre ACM Neto (União Brasil) e o presidente Lula pelo interior. O movimento não é novidade; contudo, tem ganho força para as eleições deste ano.

Ofensiva

Diante do crescimento do casamento “não consentido” com Lula, as campanhas estaduais têm se movimentado com ofensivas para evitar o voto casado entre o petista e os candidatos adversários. Na última semana, inclusive, o presidente gravou programas para reforçar sua preferência nos estados e disparou vídeos de campanha com o teor: “Quem vota no Lula, vota em 'Fulano'” ou então o “13 lá e 13 cá”.

A ofensiva também inclui a busca pela nacionalização das disputas estaduais. Apresentar-se como o “candidato de Lula” ou até associar os adversários ao bolsonarismo tem sido um movimento comum principalmente na Bahia, no Ceará e em Pernambuco. Em contrapartida, os candidatos da centro-direita nordestina têm evitado as críticas ao presidente e “fugido” das questões nacionais.

Palanque inexistente

A estratégia é compreensível, visto que a candidatura que, em tese, representa a centro-direita, liderada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), até o momento, não dá sinais de que irá alavancar. Aliado a isso, no campo mais à direita, o bolsonarismo enfrenta forte rejeição no Nordeste.

A força de Lula

Uma prova da força de Lula na região é a pesquisa divulgada pela AtlasIntel em julho deste ano. No território nordestino, o presidente concentra 65,8% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro tem 33,4%. Ou seja, Lula desponta isoladamente no topo, o candidato apoiado por Jair Bolsonaro enfrenta dificuldades e Caiado segue irrelevante e desconhecido no Nordeste.

Em 2022, quando superou o candidato à reeleição, Lula teve uma grande demonstração da força de seu eleitorado nordestino. Conforme dados disponibilizados no TSE, Lula saiu vitorioso em 1.774 cidades nordestinas; por outro lado, Bolsonaro teve mais da metade dos votos em apenas 20 municípios da região. O percentual revela uma vantagem acachapante: o petista venceu em 98,9% das cidades no Nordeste.

Nacionalizar ou se desprender

Cabe agora esperar — dar tempo ao tempo — para ver qual estratégia irá ser exitosa em outubro: A busca pela nacionalização para que os candidatos relacionem sua imagem à de Lula, ou o desprendimento pelo palanque nacional para buscar justamente os votos lulistas no Nordeste.

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Artigo de Opinião eleições do brasil

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