OPINIÃO
Trânsito de Salvador: avanços e desafios
Confira o artigo de Diego Brito, superintendente de Trânsito de Salvador

Conduzir as políticas de mobilidade de uma cidade com mais de 2,4 milhões de habitantes é, antes de tudo, um exercício permanente de responsabilidade com a vida. O ano de 2025 foi marcado por desafios complexos, mas também por avanços que indicam que estamos no caminho certo, ainda que conscientes de que há muito a ser feito.
Encerramos o ano com uma redução superior a 10% no número de mortes no trânsito: passamos de 148 vítimas fatais em 2024 para 131 em 2025. É um resultado relevante, mas insuficiente para comemorações. Cada vida perdida representa uma falha coletiva e reforça a urgência de avançarmos ainda mais.
Os maiores desafios continuaram relacionados aos sinistros envolvendo motociclistas e pedestres, usuários mais vulneráveis do sistema viário. Entre os pedestres, houve redução de 8,8% nas mortes (de 57 para 52), enquanto entre os motociclistas a queda foi de 13,8%, passando de 65 para 56 óbitos. Apesar da diminuição, os números seguem elevados e exigem atenção permanente.
Em 2026, esses desafios permanecem. Conter as ocorrências com motociclistas segue como prioridade absoluta, mas a segurança dos pedestres se impõe como um alerta ainda mais forte. O crescimento dos deslocamentos a pé demanda uma cidade mais preparada, com infraestrutura adequada, fiscalização constante e respeito às regras de trânsito.
A Transalvador tem atuado de forma integrada para garantir mais segurança viária. Intensificamos a fiscalização, especialmente para coibir o excesso de velocidade, principal infração registrada, ampliamos os investimentos em ações educativas e avançamos no redesenho viário, priorizando travessias seguras, redução de conflitos e melhor organização do fluxo. Paralelamente, nossas equipes trabalham na implementação de inovações que ajudem a preservar vidas.
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Outro desafio constante é melhorar a fluidez, sem abrir mão da segurança. Para reduzir gargalos, a Prefeitura de Salvador e a Transalvador projetam e executam obras estruturantes em corredores estratégicos, como na Avenida ACM, que recebe as implantações de viadutos e outras intervenções. Essas ações reduziram em 20% os congestionamentos na via, quando comparados os registros de 2023 e 2025.
No entanto, nenhuma política pública é plenamente eficaz sem a cooperação da população. Respeitar os limites de velocidade, a sinalização e os demais usuários da via é um dever de todos. O trânsito reflete escolhas individuais que impactam diretamente o coletivo. Salvar vidas no trânsito não é apenas uma meta institucional: é um pacto social que começa quando cada cidadão decide fazer a sua parte.
*Diego Brito é superintendente de Trânsito de Salvador.
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