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Angelo Coronel paga o preço por negligenciar aliados

Artigo de Cássio Moreira analisa imbróglio envolvendo senador

Cássio Moreira

Por Cássio Moreira

14/01/2026 - 18:33 h | Atualizada em 14/01/2026 - 18:56
Senador Angelo Coronel
Senador Angelo Coronel -

Angelo Coronel vive um drama às vésperas da definição da chapa governista. O senador, que está prestes a ser preterido na disputa interna pelas duas cadeiras para o Senado, em meio ao desejo petista de montar uma majoritária 'puro-sangue', é fruto da semente mal plantada por ele em 2022.

A semente sempre dá frutos. A questão é que o senador escolheu plantar errado, e optou por não mergulhar de cabeça na campanha do seu grupo político nas últimas eleições estaduais.

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Na sua ‘zona de descanso’, já que seu mandato no Congresso é de oito anos, Angelo Coronel preferiu assistir de longe o empenho dos seus aliados, sem se envolver, sem fazer campanha ou qualquer movimento para mostrar que estava, de fato, ao lado do seu bloco.

Seu comportamento tímido, quase envergonhado, chamou atenção na época. Era comum, até mesmo entre políticos da base, as conversinhas acerca da posição adotada por ele, que parecia não entender que era uma campanha eleitoral, e passou toda a corrida sem se manifestar. Para não ser injusto, Angelo Coronel esteve na oficialização da chapa, mas sua presença não fez diferença.

Na ocasião, ele permaneceu no mesmo tom que marcaria a sua postura durante a campanha, falando pouco, sem fazer questão de atrair os holofotes, sem nenhuma fala ou discurso de efeito. Coronel hibernou, e achou que assim era o certo, mesmo que isso lhe custasse uma série de questionamentos.

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Coronel se manteve distante das discussões políticas do seu grupo por quase quatro anos. No período, pouco falou sobre seu partido, sobre seus prefeitos, sobre os aliados ‘cardeais’. No Senado, sua atuação passou longe de ter o mesmo destaque dos colegas de bancada, Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD), que assumiram a linha de frente em defesa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por diversas vezes.

Agora, às vésperas das eleições para o Senado, a conta de Coronel parece ter chegado. O senador tem se esforçado e reivindicado seu espaço na chapa, mas poucos são seus argumentos, e nenhum deles é convincente a ponto de tocar Wagner e Rui para que um deles renuncie da candidatura e lhe dê a vaga.

O primeiro argumento é o discurso de que tem o direito de renovar seu mandato. Todos sabem que parte da vitória de Coronel para o Senado de 2018 foi construída com os pilares petistas. É quase certeza que ele não teria passado perto de ser eleito, caso não fosse abraçado pelo então governador, hoje ministro, e pelo parceiro na disputa pelo Congresso.

Coronel chegou próximo ao pleito sem ter a certeza de que ficaria com a segunda vaga. Ficou, foi eleito, mas muito pelo tom “militante”, como foi dito por um petista, adotado por Rui Costa nos últimos dias de campanha, fazendo um apelo para que seus eleitores abraçassem a candidatura do aliado.

O segundo argumento é o número de prefeitos que ele tem. São poucos, e esses poucos soltam rapidamente sua mão, caso Rui Costa seja o escolhido para concorrer na chapa. Os prefeitos precisam pisar em chão firme, e isso o ministro-chefe da Casa Civil pode ofertar, sem riscos, com o favoritismo que carrega para a eleição de outubro.

O terceiro argumento usado por Coronel é o mais frágil de todos. Ele fala sobre o PSD, seu partido, mas quem manda na sigla no estado, Otto Alencar, foi cristalino ao afirmar que não vai abandonar o grupo do qual faz parte para bancar a aventura do correligionário.

O movimento de Otto enterra de uma vez por todas os planos de Coronel, que agora tem duas opções: aceitar que não será candidato à reeleição e barganhar vantagens para se manter vivo no cenário político, ou romper e migrar para a oposição, o que dificultaria sua empreitada para a renovação do mandato, podendo amargar uma grande derrota.

Coronel tem dito que participará da Lavagem do Bonfim, nesta quinta-feira, 15, que será um termômetro para todos os interessados nas eleições do segundo semestre. Resta saber se ele vai vestir, pelo menos uma vez, a camisa do time do qual ainda faz parte, ou se vai preferir se isolar no cortejo.

Existe também a hipótese de que Coronel seja isolado pelos aliados na caminhada até a Colina Sagrada. Esse cenário, ainda que no campo da especulação, será um sinal mais do que claro de que ele não é prioridade dentro do grupo do qual ainda faz parte. É a confirmação também de que ele pagou caro pelas escolhas recentes.

*O conteúdo deste artigo é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Grupo A TARDE.

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