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Hugo Chávez e Nicolás Maduro

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Queda de Nicolás Maduro finaliza complexa era do chavismo venezuelano

Artigo de Cássio Moreira analisa captura de presidente da Venezuela

Hugo Chávez e Nicolás Maduro - Foto Federico Parra | AFP

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Cássio Moreira

Por Cássio Moreira

04/01/2026 - 15:10 h

Capturado, sequestrado. Como você achar melhor. A queda de Nicolás Maduro, após a ação das forças de segurança dos Estados Unidos, representa não só um novo tempo, ainda não se sabe para se para o bem ou para o mal, na Venezuela, também o possível começo do fim do chavismo como principal força política do país.

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Para quem não sabe, o chavismo é uma ideologia à esquerda que tem na figura do ex-presidente Hugo Chávez seu principal pilar. Ele se apoia nas ideias de Chávez, que trazia como base o chamado 'socialismo do XXI', atrelado ao sonho de Simón Bolívar de uma 'pátria grande' e ao projeto implantando por Fidel Castro em Cuba após a revolução de 1959, outro episódio complexo da história recente da humanidade.

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Chávez, que aos trancos e barrancos, comandou o país entre 1999 e 2013, ano de sua morte, foi do céu ao inferno por muitas vezes. Quando chegou ao poder, na virada do milênio, prometeu um governo democrático, com liberdade de imprensa e opinião. Assim foi no início, mas se tornou alvo de um golpe de Estado, foi deposto, e voltou traindo a si mesmo.

Se na política, Chávez adotou um modelo linha dura, sendo considerado um tirano por seus opositores e por uma considerável parcela da comunidade internacional, sua administração colocava a Venezuela em um situação econômica e social vista poucas vezes nos países da América do Sul. Se o Brasil vibrava com os anos dourados do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o chamado pleno emprego e aumento do poder de compra dos emergentes, os vizinhos venezuelanos alcançaram seus melhores números no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Educação, saúde, redução da pobreza e do analfabetismo. Tudo isso ocorreu com Chávez no poder. Do outro lado, opositores perseguidos, emissoras de televisão cassadas e isolamento político. Assim foram os anos de Hugo à frente da Venezuela.

Maduro, que assumiu em 2013, com a morte do líder, se colocou como um guardião dos ideais chavistas. Para o bem e para o mal. E assim foi durante os anos em que ficou no poder, com vitórias suspeitas nas urnas para se perpetuar, com o tom debochado que adotou nos últimos anos, com dancinhas e farras em meio ao cenário de miséria que tomou conta do país.

Nicolás Maduro, presidente deposto da Venezuela
Nicolás Maduro, presidente deposto da Venezuela | Foto: Federico Parra | AFP

Maduro, com o perdão da ironia, mostrou não ter maturidade para tocar a missão para a qual foi escolhido e ungido pelo próprio Chávez, contrariando, inclusive, as expectativas na época. Como presidente, perseguiu igualmente seus opositores, aumentando as repressões e exilando adversários.

Seus adversários, claro, estão longe da santidade. Guaidó e Corina se mostraram fracos como líderes. Somente grandes lideranças conseguem bater de frente com quem tem sede de se manter eternamente no poder. Mais uma vez, Maduro encarnou seu mestre político ao atacar, quando pressionado a provar que não havia fraudado o resultado das urnas de papel no último pleito, o presidente Lula e o processo eleitoral brasileiro.

Nem mesmo Chávez teria ousado tanto fazendo uma ofensiva descabida a um dos seus aliados mais poderosos e influentes. Cada vez mais isolado, restou para Maduro a falsa sensação de apoio popular, que não se refletia nas pesquisas recentes que foram divulgadas, e tal qual o ditador comunista Nicolae Ceaușescu, que teve um triste fim na Romênia dos anos 1980, convocou a população por diversas vezes para se sentir abraçado.

Na triste ilusão que criou, Maduro não teve opção e acabou rendido. Como dito no início do texto, a forma que ocorreu sua prisão pode ser contestada, até chamada de sequestro, uma vez que ele estava em seu território. O que não se pode ignorar é que sua queda representa, ainda que seja cedo para falar, a derrota mais amarga do chavismo até aqui.

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