
Por Cássio Moreira
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado na madrugada deste sábado, 3, pelas forças militares dos Estados Unidos, em uma ofensiva do país ao território sul-americano, já sinalizada por Donald Trump anteriormente. O avanço, no entanto, abriu o debate acerca da legalidade da postura.
Ao Portal A TARDE, Cláudio André de Souza, cientista político e colunista do Grupo A TARDE, afirmou que a invasão americana fere os tratados internacionais, o que inclui as diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU). O analista sinalizou ainda os possíveis interesses econômicos da Casa Branca na Venezuela, conhecida por suas reservas de petróleo.
"Importante que a gente trace que nos planos de Donald Trump, ele já tinha sinalizado que faria uma intervenção política e militar na Venezuela e isso tudo é dentro da perspectiva envolvendo o que a gente pode entender ali como interesse econômico imediato e estratégico tanto territorial quanto político e econômico, pensando essas três dimensões. Então, eu vejo que dentro dessa perspectiva a gente deve, antes de mais nada, acenar para uma dificuldade imediata que é a ação militar que vai e retira um presidente. Do ponto de vista legal, do ponto de vista pensando aqui, inclusive nos tratados de direito internacional, isso que Trump fez é um crime, capturar e levar um presidente para ser julgado no seu país. Esse tipo de usurpação não é previsto, não é algo, inclusive, a ser chancelado pela Organização das Nações Unidas, a ONU", afirmou o cientista político.
Papel do Brasil
Cláudio André também citou o papel do Brasil e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos desdobramentos da ocupação americana no território venezuelano. O Itamaraty é um aliado histórico da Venezuela, mas as duas nações se distanciaram recentemente após declarações polêmicas sobre o processo eleitoral brasileiro.
O Brasil deve adotar a posição estratégica de garantir a sua soberania e a do país vizinho, ainda que discorde dos rumos do governo Maduro e dos pilares do chamado 'chavismo'.
"Isso coloca o Brasil e o presidente Lula em um desafio, que é manter a defesa da soberania dos países, dentro da perspectiva de que ele não vai ali assinar um cheque em branco em relação ao chavismo e ao governo de Nicolás Maduro. Uma visão mais crítica que envolve, inclusive, a correlação de forças internas no Brasil, um país que foi virando mais à direita em uma posição mais crítica à Venezuela, ao regime venezuelano", pontuou o analista, que frisou ainda que o Brasil deve assumir a dianteira como o país do "diálogo" entre as nações.
"Lula deve conduzir uma posição diplomática que envolva esse lugar do Brasil como um país de diálogo. Penso que ele deve assinar também na perspectiva humanitária para fazer uma gestão de crise na relação com a fronteira e no âmbito mais estratégico. Condenar esse tipo de intervenção e abrir diálogo com as grandes potências militares como a Rússia e a China [...] É inevitável que do ponto de vista institucional, o presidente Lula mantenha preocupações, porque a gente passa no sentido mais amplo a ter um conflito bélico no quintal do Brasil, na fronteira", explicou.
EUA assumem Venezuela
Após a captura de Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que caberá ao governo americano comandar o país até que a ordem possa ser novamente estabelecida.
“Não queremos que outra pessoa assuma o poder e continuemos na mesma situação que tivemos nos últimos anos. Portanto, vamos governar o país. Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição de poder", destacou o presidente dos Estados Unidos.
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