Busca interna do iBahia
HOME > ATLASATARDE

ATLASINTEL/A TARDE

Fim da escala 6x1 preocupa indústria e setor imobiliário: "Decisão requer tempo"

Pesquisa AtlasIntel/A TARDE mostra que 54,5% defendem implementação gradual

Ane Catarine
Por
Protesto pede fim da escala 6x1
Protesto pede fim da escala 6x1 - Foto: Tomaz Silva | Agência Brasil

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um novo capítulo com a apresentação do relatório final do deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), que estabelece uma regra de transição gradual de um ano para todos os setores. Um ponto central, porém, une a opinião pública e o setor patronal: a necessidade de cautela.

Um recorte da pesquisa AtlasIntel/A TARDE, divulgada na segunda-feira, 25, mostra que a maioria da população (54,5%) acredita que a mudança não deve ser imediata e defende uma transição gradual antes da implementação completa da jornada de 40 horas semanais.

Tudo sobre Atlasatarde em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

A preocupação também aparece entre representantes do setor industrial e do mercado imobiliário.

Para o presidente da Federação das Indústrias da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, a proposta atual, embora responda a um anseio social, ainda precisa de um debate técnico mais aprofundado sobre os impactos no funcionamento das empresas e no bolso do consumidor.

Não é que nós sejamos contra reduzir a jornada, mas isso tem que acontecer com uma negociação específica para cada setor e empresa, dentro da condição de cada um

Carlos Henrique Passos - Entrevista ao portal A TARDE
Carlos Henrique Passos, presidente da FIEB Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE Data: 09/04/26
Carlos Henrique Passos, presidente da FIEB Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE Data: 09/04/26 - Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Já o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA), Cláudio Cunha, afirmou que ainda não considera este o momento adequado para mudar o modelo de jornada de trabalho.

“Este não é o momento adequado. Estamos próximos de uma nova eleição e o tema requer uma análise criteriosa dos seus impactos. Cada setor tem a sua especificidade e as convenções coletivas precisam ser respeitadas. Essa é uma decisão que requer tempo para as empresas se reprogramarem.”

O presidente da ADEMI-BA, Cláudio Cunha
O presidente da ADEMI-BA, Cláudio Cunha - Foto: Divulgação

O que diz a proposta de redução da jornada de trabalho?

O modelo que está sendo costurado na Câmara dos Deputados prevê uma adaptação em duas etapas para as empresas:

  • Em 60 dias: a jornada máxima cairia de 44 para 42 horas semanais, tornando a escala 5x2 obrigatória, sem redução de salário;
  • Em 12 meses: a jornada seria reduzida definitivamente para 40 horas semanais.

O desafio de “reorganizar a casa”

Para o presidente da FIEB, os prazos propostos são curtos para adaptações logísticas mais complexas e, por isso, estabelecem uma dificuldade real para o setor patronal.

Uma empresa que hoje funciona com turnos de seis horas por seis dias na semana vai fazer o quê? Aumentar os turnos para oito horas? A logística para reorganizar não é simples

Carlos Henrique Passos

O dirigente afirmou ainda que existe preocupação com possíveis impactos econômicos e produtivos, principalmente para pequenas empresas, que têm menos recursos para contratar novos funcionários ou reorganizar a produtividade em pouco tempo.

“Não se ganha produtividade e não se fazem arranjos produtivos para substituir essas pessoas em tão pouco tempo. Da maneira que está sendo posto, vamos criar um grande problema econômico e de produção para as empresas”, reforçou.

Já o presidente da ADEMI-BA, Cláudio Cunha, disse que o setor imobiliário baiano também pode enfrentar dificuldades para conciliar a redução da jornada com a produtividade, “especialmente na construção civil, que ainda depende fortemente de atividades presenciais e de processos mais artesanais.”

AtlasIntel reforça cenário

Outro recorte da pesquisa AtlasIntel mostra que 53,3% dos entrevistados acreditam que pequenas e médias empresas serão as mais afetadas pelo novo formato da jornada de trabalho.

Outros 24,1% avaliam que todas as empresas serão impactadas de maneira semelhante. Já 19,5% acreditam que pequenos comércios e empresas não sofrerão impactos.

Negociação por setor

Diante do cenário, a FIEB e a ADEMI-BA defendem que o caminho ideal para redução da jornada de trabalho seria manter negociações específicas por categoria ou empresa, respeitando as particularidades de cada setor.

O receio é que uma regra geral ignore situações de empresas que já operam com jornadas menores, mas que não conseguem cumprir dois dias de descanso obrigatórios por causa da natureza do serviço.

Próximos passos

Enquanto o texto segue em tramitação no Congresso Nacional, a FIEB iniciou um levantamento para entender como cada setor industrial da Bahia poderá ser afetado.

Segundo Carlos Henrique, o objetivo é reunir informações e orientar as empresas caso a PEC seja aprovada e promulgada.

Da mesma forma, a ADEMI-BA ainda estuda os caminhos possíveis para a implantação.

A pesquisa

A pesquisa AtlasIntel/A Tarde entrevistou 1.560 pessoas, via recrutamento digital aleatório (RDR), entre os dias 22 e 25 de maio.

A margem de erro é de dois pontos percentuais (2.p.p), para mais ou para menos. O nível de confiança da pesquisa, produzida em parceria entre o instituto AtlasIntel e o Grupo A TARDE, é de 95%.

Imagem ilustrativa da imagem Fim da escala 6x1 preocupa indústria e setor imobiliário: "Decisão requer tempo"
Foto: Túlio Carapiá | Editoria de Arte Ag. A TARDE
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

ademi AtlasIntel/A TARDE fieb fim da escala 6x1

Relacionadas

Mais lidas