ESTREITO DE ORMUZ
Setor de fertilizantes aposta em alternativas para driblar perdas com guerra no Oriente Médio
Alta dos insumos com o fechamento de Ormuz afetou o custo da produção do produtor brasileiro


Há cerca de quatro meses, a guerra no Oriente Médio tem deixado marcas no setor industrial e do agronegócio em todo o mundo. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, a principal matéria-prima de produção e os derivados do petróleo foram afetados, o que balança as exportações em todo o mundo.
Um dos setores que foram atingidos pelas altas de preço e pela escassez de insumo foi o setor de fertilizantes, cuja região domina a produção de nitrogenados (como ureia e amônia) e fosfatados, essenciais para a produção do fertilizante.
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“Os conflitos do Oriente Médio realmente impactaram severamente o suprimento mundial essencial para o fertilizante. Cerca de 40% do fósforo e 20% do nitrogênio que o Brasil importa vêm da região do golfo. Muito do enxofre que é a matéria-prima para a produção do fosfatado também vem de lá e nós somos consumidores desse enxofre”, disse o gerente comercial Carlos Alexandre.
Para driblar a baixa oferta do produto e as altas dos preços, o setor de fertilizantes tem apostado em estocagem de matérias-primas e alternativas com preços mais acessíveis ao produtor. Na Bahia Farm Show, os produtores promovem essas novas janelas de oportunidade para o campo.
“A forma que encontramos para mitigar isso foi antecipando compras de enxofre para a produção de ácido sulfúrico, que está estocado. Então, nós temos segurança de suprimento e de produção para continuarmos produzindo e comercializando para o produtor rural”, continuou ele.
Volatilidade e mitigação de altas dos preços
Desde a guerra no Irã, a ureia, por exemplo, alcançou US$ 710 por tonelada CFR Brasil (custo mais frete) — alta de 50% em 30 dias, alta de 89% em relação ao ano anterior. O MAP (fosfatado) subiu para US$ 850 por tonelada (+17% no último mês), enquanto o KCl (potássio) permaneceu relativamente estável, ao redor de US$ 383 por tonelada.
A alta dos insumos afetou o custo da produção do produtor brasileiro, o que agravou o cenário de troca do campo, segundo relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Carlos Alexandre explica que os fertilizantes funcionam como commodity e que a precificação é baseada internacionalmente.
“Somos tomadores de preços e o que a gente vem fazendo e realizando com sucesso é criando produtos diferenciais e alternativos para poder otimizar o custo de aplicação ao produtor sem ter a perda nutricional da planta. A gente consegue ter mobilidade entre produtos e produção para mitigar riscos de preços”, continuou ele.
Entre esses produtos com menores custos está a linha de preços farelados e enriquecidos com micronutrientes, que diminui o custo de aplicação dos insumos.
Aposta em novos mercados
Para o setor, o mercado está reagindo bem ao cenário no Irã, com quedas nos preços da ureia, maior movimentação comercial da China e uma menor dependência dos insumos no Oriente Médio.
“Para a próxima etapa, boa parte do mercado de potássio já andou, diria que acima de 85%, e o de fósforo, uns 55%. Onde se tem coisa para acontecer é nos nitrogenados que estão mais atrasados e o produtor está tendo um pouco de cautela, aproveitando essa janela de oportunidade. O que eu acredito é no time para fechar esse restante de pedido, interiorizar o produto na indústria e trazer para o campo”, explica Rafael Barbiero, CEO da Albar.
Nesse primeiro semestre, as empresas de fertilizantes que nem a nossa, se posicionaram, compraram, adubaram, forneceram e estão vendendo produtos. Para o segundo semestre, a oferta de produto é menor no mercado, então quem deixar muito para frente corre o risco. Então a janela está se fechando e acreditamos que está numa boa relação de troca
Rafael Barbiero - CEO da Albar
A Albar acredita que a demanda por NPK de forma geral, principalmente na cotonicultura, é uma ótima oportunidade de negociação e de relações de troca com o produtor.
“A janela está se fechando. Então, acho que está num bom momento de preço, equilibrou um pouco, os preços das commodities não subiram muito, mas o dólar futuro está bom. Dá para a gente melhorar um pouco essa precificação”, finaliza ele.



