Busca interna do iBahia
HOME > BAHIA

BAHIA

Após bloqueios, Justiça suspende reintegração da Aldeia Lagoa Doce

Área em disputa envolve comunidade Pataxó, empresa e unidade de conservação

Isabela Cardoso
Por
Indígenas durante protesto em Trancoso
Indígenas durante protesto em Trancoso - Foto: Reprodução | Radar News

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região suspendeu, nesta terça-feira, 7, a reintegração de posse e a demolição previstas para esta quarta-feira, 8, na área ocupada pela Comunidade Indígena Pataxó da Aldeia Lagoa Doce, em Trancoso, distrito de Porto Seguro.

A decisão foi assinada pelo desembargador federal Pablo Zuniga Dourado após recurso apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF).

Tudo sobre Bahia em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Ao analisar o caso, o magistrado afirmou que a retirada imediata das famílias poderia contrariar uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que colocou o imóvel sob custódia judicial enquanto é analisada a validade do título de propriedade da área.

Faltaram medidas obrigatórias para remoção coletiva

A decisão também apontou que não foram cumpridas as exigências previstas para remoções coletivas, como:

  • realização de audiência pública;
  • elaboração de plano de ação;
  • cronograma de desocupação;
  • cadastramento das famílias atingidas.

Segundo o desembargador, a ausência dessas etapas torna a reintegração prematura.

Protestos e bloqueio de via

Horas antes da suspensão ser confirmada, a tensão aumentou em Trancoso. Indígenas da Aldeia Lagoa Doce fecharam o trevo do distrito e os acessos a Caraíva e à Praia do Espelho, provocando congestionamentos e interrompendo o fluxo de veículos na região.

O bloqueio atingiu moradores, trabalhadores, turistas e transportadores. Enquanto o trânsito permanecia parado, caciques e lideranças participaram de reuniões com representantes da Funai e das forças de segurança para buscar uma saída negociada diante da ordem judicial.

A área em disputa é reivindicada pela comunidade Pataxó de Lagoa Doce, mas tem a titularidade atribuída à empresa Itaquena S/A. Parte do território também integra o Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades, administrado pelo ICMBio.

Mandados serão recolhidos

Com a decisão, o TRF-1 determinou a suspensão imediata da reintegração de posse e proibiu qualquer ação de força prevista para o dia 8 de julho.

A Vara Federal de Eunápolis foi orientada a recolher os mandados já expedidos e comunicar a suspensão às forças de segurança responsáveis pelo cumprimento da ordem.

Cerca de 200 indígenas vivem na área

A Aldeia Lagoa Doce abriga aproximadamente 200 indígenas Pataxó. A disputa territorial em torno da área se arrasta na Justiça e envolve a reivindicação de posse feita pela comunidade indígena e pela empresa Itaquena S/A.

A suspensão da reintegração representa mais um capítulo do conflito fundiário na região de Trancoso, enquanto o Judiciário analisa a validade do título de propriedade do imóvel.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Justiça Federal pataxó Povos Indígenas

Relacionadas

Mais lidas