BAHIA
Após confronto com PM, centrais sindicais param parcialmente a Estrada do Coco


A manifestação de trabalhadores de Lauro de Freitas travou parcialmente a BA-099, conhecida como Estrada do Coco, na manhã desta sexta-feira, 28. Inicialmente, as centrais sindicais pretendiam fechar a entrada e saída da cidade, que é a principal da Região Metropolina de Salvador (RMS).
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Mas isso não foi possível por conta do baixo número de manifestantes no início do protesto - às 4h30 da madrugada - e a repressão de policiais militares no local. Os primeiros momentos do movimento, inclusive, foi marcado pelo confronto entre PMs e sindicalistas.

Fotos: Paula Pitta | Ag. A TARDE
A confusão aconteceu após três viaturas das Rondas Especiais (Rondesp) fecharem a BA-099 no sentido Linha Verde. No momento, os manifestantes ocupavam duas das três faixas da rodovia, permitindo o fluxo de veículos pela outra faixa.
Com a ação da Rondesp, os sindicalistas passaram a bloquear totalmente a Estrada do Coco no sentido Linha Verde, mas foram surpreendidos pelos PMs, que jogaram bombas de efeito moral nos manifestantes, dispersando o grupo.
Dois manifestantes foram feridos na ação. A servidora municipal Lindinalva Maciel, 42, que estava chegando no protesto foi atingida na bunda pela Rondesp. "Eles jogaram sem falar nada. Ninguém esperava. Isso é uma violência, uma truculência", criticou.
Além de Lindinalva, o militante do Sindicato dos Químicos da Bahia (Sindquímica), Tom Queiroz, também ficou ferido nas costas. Os dois buscaram atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Lauro e retornaram para a manifestação após serem medicados.
O major João Neto, da 81ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), que comandou o policiamento na manifestação, disse que a orientação era impedir o bloqueio total da rodovia, mas os policiais deveriam primeiro negociar com os manifestantes.
"Eu não estava aqui na hora, mas vou investigar o que aconteceu e terei que responder por isso, porque a orientação não era essa", disse o major.
Em nota, a Polícia Militar alegou que os PMs só agiram porque os manifestantes tentaram fechar a entrada do Aeroporto Internacional de Salvador. Contudo, no momento do confronto, o grupo não estava nas imediações do aeroporto. O ato acontecia na altura do posto Larco, já dentro de Lauro de Freitas, sem afetar quem iria viajar.

Acordo
Após o confronto, manifestantes e policiais militares entraram em acordo e o protesto transcorreu de forma tranquila. As viaturas da Rondesp deixaram o local e apenas as guarnições da 81ª e 52ª CIPM, que cobrem a região, continuaram organizando o ato.
Com o pacto, os manifestantes passaram a fechar completamente a BA-099, mas por curtos períodos. A cada 10 minutos, eles ocupavam a via e depois liberavam. A situação deixou o trânsito lento durante toda manhã na Estrada do Coco, mas fluindo aos poucos.
Apesar do transtorno no trânsito, a maioria dos motoristas que circularam no local apoiaram o protesto, o que era demonstrado por meio de buzinaços. Alguns insatisfeitos chegaram a xingar os manifestantes, mas não houve conflito entre eles.
Lauro engajada
Apesar de não ter tido a dimensão esperada pelas centrais sindicais, o ato marcou a participação da cidade na greve nacional contra as reformas de Temer. "Lauro de Freitas parou e a partir de agora vai ficar à frente das manifestações na Bahia e na luta contra esse governo golpista e suas reformas. Eles querem aprovar o pacote de maldade chamando de desenvolvimento", disse o presidente do Sindicato dos Comerciários de Lauro, José Carlos Guri, que esteve à frente da manifestação no município.
Com palavras de ordem e gritos de "Fora Temer", os manifestantes chamaram o peemedebista de "golpista" e "fascista". Eles também exibiram faixas criticando a aprovação da terceirização e pedindo que o Congresso barre as reformas trabalhistas e da Previdência.
A maioria dos presentes no ato em Lauro era sindicalista, mas outras pessoas também engrossaram o protesto. Foi o caso da Irmã Isabel, que decidiu participar pela primeira vez de uma manifestação.
"Resolvi participar, porque o Brasil não está aguentando mais. Todo mundo deveria parar, e não, apenas um dia, porque não tem como tirar mais nenhum direito dos trabalhadores", justificou a religiosa, que estava acompanhada de outra freira.
A estudante Alice Velanes, de 6 anos, também se destacou entre os presentes. Com um cartaz com a mensagem de "Fora Temer", a jovem cidadã disse que não concordava com as atitudes do presidente, apesar de não saber apontar erros dele.
A garota estava com a avó, a professora Luciene Velanes, 51. "Eu sempre trago ela porque acho importante que ela entenda o motivo do protesto, até porque ela também será afetada pelas reformas", explica a docente, que tem 18 anos de trabalho em sala de aula, mas teme não conseguir se aposentar, caso a reforma previdenciária seja aprovada.