BAHIA
Bahia é 4º no ranking nacional de denúncias de racismo digital
Pesquisa é desenvolvida pelo Observatório Racismo nas Redes, do Aláfia Lab

Por Jackson Souza*

A Bahia é 4º estado com maior número de denúncias de casos de racismo e injúria racial sofridos no ambiente digital em todo país, aponta pesquisa desenvolvida pelo Observatório Racismo nas Redes, do Aláfia Lab, ficando atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Segundo o levantamento, as mulheres negras são as principais vítimas, representando 61% das denúncias realizadas.
Em 2024, foram feitas 452 denúncias através do Disque 100, plataforma do governo federal para questões relacionadas aos direitos humanos. Esse número é o maior em 14 anos, o que evidencia uma crescente nos casos de violências de cunho racial cometidos no ambiente digital.
Para Letícia Alcântara, do Aláfia Lab, responsável pela pesquisa, o anonimato e a baixa responsabilização de pessoas que cometem crimes raciaisna internet é um dos dois fatores que favoreceram essa escalada no número de casos, já que é possível que o usuário apague o perfil ou use contas falsas.
O segundo motivo está na falta de ações de big techs – grandes plataformas digitais, como X e Instagram – em promover ações diretas de combate a esse crime. O quadro pode mudar com aentrada em pauta, no Congresso, da regulação das redes sociais digitais. O projeto está em análise também no Supremo Tribunal Federal(STF)e temo apoio de 85% dos brasileiros, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva.
“É preocupante esses discursos racistas nesses ambientes digitais (...) e a gente ver muito claro essa interseccionalidade, essa encruzilhada de raça e gênero vitimando cada vez mais as mulheres, e a gente observa que existe uma conexão entre amisoginia, omachismo eoracismo,quevãovitimar, emmaiornúmero, amulher negra”, enfatizou a pesquisadora.
‘Brasil mostra tua cara’
O estudo “Brasil mostra tua cara” revela ainda que 90% das vítimas se declaram negras, sendo a imensa maioria formada por pretos (66%) e o restante pardos (24%). Já o perfil dos agressores é inverso às vítimas, sendo brancos (70%), homens (55%) e comidades entre 25 e 40 anos, “adultos economicamente ativos”, destaca o levantamento.
Cabe ressaltar que, o levantamento feito com base nas denúncias realizadasno Disque 100, mostra que quanto mais retinta a pessoa, maiores são as chances de ser vítima de crime racial.
Não é incomum encontrar aplicativos de rede social com casos escancarados de racismo ou injúria racial travestidos de piadas e memes – assuntos que viralizam na internet e ganham cunho humorístico. Faz pouco tempo, no Instagram, uma “trend”, como são chamadas as tendências online, brincava com o fato de pessoas brancas serem ‘donas depessoasnegras’, alusão ao período da escravidão.
Onde denunciar
Além do Disque 100, que garante anonimato a quem denuncia, é possível denunciar situações que envolvam discriminação racial através do número 61 9 9611-0100 (WhatsApp) e das plataformas Fala.BR e SafeNet, além de registrar a denúncia numa delegacia.
*SOB A SUPERVISÃO DA EDITORA ISABEL VILLELA
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