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A TARDE esclarece morte por leptospirose divulgada no WhatsApp

Teófilo Henrique
Por Teófilo Henrique
| Atualizada em
Para o coco transmitir a leptospirose é preciso uma combinação de vários fatores
Para o coco transmitir a leptospirose é preciso uma combinação de vários fatores - Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE

Muitas correntes e com informações imprecisas circulam pelos aplicativos de mensagens como o WhatsApp. Pensando nisso, o Portal A TARDE estreia nesta terça-feira, 21, a série “Corrente WhatsApp: boato ou verdade?”.

A nossa primeira investigação é sobre a mensagem que aponta a morte de um esportista baiano por leptospirose após comer a polpa do coco verde utilizando como talher a própria casca do fruto.

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CORRENTE DA VEZ

Para Ana Galvão, chefe do setor de informações do Centro de Controle de Zoonoses de Salvador (CCZ), a mensagem é exagerada. “Não é impossível dessa contaminação acontecer, mas é preciso uma combinação de muitos fatores”, disse.

A contaminação do coco pela bactéria leptospira, responsável pela leptospirose, depende da higiene do local onde o fruto é armazenado. O rato, principal transmissor da bactéria pode urinar no coco, mas ela só se prolifera se o ambiente for úmido e molhado, pois não resiste a ambientes secos e à luz do sol.

Ana Galvão informou também que caso a situação na mensagem seja real não aconteceu em Salvador. “Ano passado e até hoje, neste ano, não registramos nenhuma morte de leptospirose com essas características [do caso que viralizou no WhatsApp]”, disse.

Sintomas

Os sintomas desta doença geralmente são: febre alta, fortes cefaléias, calafrios, dores musculares, vômitos, bem como icterícia ( caracterizada pela coloração amarela dos tecidos e das secreções orgânicas, resultante da presença anormal de pigmentos biliares), olhos congestionados, dor abdominal, diarréia ou coceira.

As leptospiras podem sobreviver no ambiente até semanas ou meses, dependendo das condições do ambiente (temperatura, umidade, lama ou águas de superfície). Porém, são bactérias sensíveis aos desinfetantes comuns e a determinadas condições ambientais. Elas são rapidamente mortas por desinfetantes, como o hipoclorito de sódio, presente na água sanitária, e quando expostas à luz solar direta.

Números

A diretoria de vigilância epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), informou que até 20 de dezembro de 2016 foram registrados na Bahia 165 casos suspeitos de Leptospirose. Desses, 48 foram confirmados e oito foram a óbito. O coeficiente de incidência foi de 0,31 casos/100.000 hab. Dos óbitos, sete ocorreram em Salvador e um em Ilhéus.

Ainda com informações da Sesab, o maior número de casos ocorreu no sexo masculino e na faixa etária economicamente mais produtiva, de 20 a 49 anos.

O Caso

No último dia 7 fevereiro o judoca baiano, João Victor Machado Lima, 20 anos, morreu em Chapecó (SC) com a suspeita de ter sido por leptospirose, mas a família não acredita que a corrente tenha a ver com a causa da morte dele.

Imagem ilustrativa da imagem A TARDE esclarece morte por leptospirose divulgada no WhatsApp

(Foto: Reprodução | Facebook)

“Não tava sabendo disso e ainda não saiu o resultado dos exames para sabermos realmente a causa da morte, apesar de ter suspeita”, disse a tia do atleta Gildete Machado. O laudo com o resultado dos exames ainda não saiu, mas a tia continua em contato com a Secretaria de Saúde de Chapecó.

A tia contou, ainda, que tudo foi muito rápido, “Ele foi internado e em poucos dias depois morreu. A principal suspeita é de dengue hemorrágica por ter sido tudo muito rápido”, relatou.

Segundo Gildete, a família, que é de Taperoá (município baiano a 168 quilômetros de Salvador), precisou de ajuda e por isso fizeram uma campanha para fazer o traslado do corpo de João. “Eu cheguei em Chapecó, no dia 6, o médico me falou que ele tava numa situação delicada. No dia 7, pela tarde ele morreu. Avisei ao restante da família e começamos a campanha”.

A tia, com ajuda do empresário Marcos Souza, conseguiu valores mais em conta para fazer o traslado e, no dia 8, por conta das doações, já tinha dinheiro suficiente para pagar as despesas. O corpo de João foi sepultado no dia 10 de fevereiro em Taperoá.

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