SALVADOR
Apesar do gasto de R$ 60 milhões, Salvador tem trechos sem iluminação
Semop informa que ocorrem rondas diárias para identificar pontos com apagões e luminárias queimadas


A despesa em torno de R$ 60 milhões por ano em três contratos direcionados para obras de infraestrutura, manutenção corretiva e preventiva da iluminação pública de Salvador não tem impedido que alguns pontos da cidade estejam mergulhados, ou quase, no breu. É o que ocorre na Via Expressa, especialmente na sua ligação com o Acesso Norte, na Avenida ACM, vizinhança do viaduto da Bonocô, e várias outras localidades.
Cada um dos três contratos cobre uma área da cidade, uma divisão norteada pelas prefeituras-bairro, com o Consórcio Citelum (2MS Engenharia e Citéluz Serviços de Iluminação) respondendo por duas regiões e o Consórcio Ilumina Salvador (Ilumitech Construtora, Qualy Engenharia, Metro Engenharia e SRE Engenharia) atendendo a terceira.
Assinados em 1º de maio de 2020, os contratos foram prorrogados duas vezes, ganhando aditivos nos valores, até o final de janeiro de 2023. O valor total previsto nos três contratos para a vigência de um ano era R$ 55.662.453,23, mas com as prorrogações de vigência, acrescentando 21 meses ao final, e os reajustes praticados nas renovações, atualmente, os três contratos somam R$ 188.743.219,35, um montante superior ao triplo do inicial.
Os valores chamam a atenção, mas pouco dizem ao porteiro Wellington Silva, 49 anos, morador da Ladeira do Paiva desde a infância, que costuma fazer caminhadas noturnas na Via Expressa.
Na última quarta-feira, ao ver a equipe de A TARDE, nas proximidades da passarela antes do túnel (sentido Água de Meninos), ele exclamou: “fotografa mesmo, está tudo escuro”.
Na noite citada, três postes estavam totalmente apagados, entre a passarela e o túnel, e antes desse trecho, alguns tinham apenas uma luz acesa.
Na avaliação de Wellington, o local é sempre escuro, mesmo quando todos os postes estão funcionando plenamente.
Além de apontar a demora na substituição das lâmpadas, ele considera que o projeto executado é inadequado, deixando sempre toda a via mal iluminada.
A situação é ainda pior na longa curva de descida da Via Expressa para o Acesso Norte, nas proximidades do Horto Bela Vista. Nesse trecho, onde um pedestre arredio se aventurava por volta das 20h, a única luminosidade era trazida pelos faróis dos carros.
O mesmo breu foi encontrado na Avenida Antônio Carlos Magalhães, pouco após a estação de metrô Detran, sentido Rótula do Abacaxi.
Moradora da Vila Laura, Mariana Ferreira, 34 anos, passa de carro diariamente no trecho citado da Av. ACM, ao retornar do seu trabalho como gerente de uma loja de roupas. “Fico imaginando como em plena cidade tem lugares tão escuros, dá até medo”, comenta.
Ela acrescenta que, frequentemente, o breu também domina a área embaixo dos viadutos da Rótula do Abacaxi, onde o semáforo, às vezes, obriga a parada e permanência por algum tempo.
Dificuldades
O gerente de projetos da Diretoria de Iluminação Pública (Dsip) da Secretaria de Ordem Pública (Semop), Igor Moreira, reconhece os problemas nos locais visitados por A TARDE na última quarta-feira.
No caso da Via Expressa, o gestor concorda que a iluminação é deficiente mesmo quando tudo está funcionando, o que atribui ao projeto executado na região, anterior à entrada do grupo político de Bruno Reis na Prefeitura.
“Temos um projeto específico para essas grandes vias, não é como chegar num bairro e trocar as luminárias de um poste”, argumenta Moreira, citando a Via Expressa, a Bonocô e a Vasco da Gama.
Nas avenidas onde ainda são encontrados os postes azuis (em contraste aos brancos da atual gestão), sinalizando uma iluminação planejada há mais de 10 anos, será desenvolvido um novo projeto luminotécnico, garante o gerente.
Em sua avaliação, os projetos antigos não contemplaram adequadamente a segurança dos materiais, sobretudo dos cabos, que são frequentemente furtados. Segundo Moreira, na Via expressa é comum que roubem os cabos internos dos postes, deixando o equipamento 100% apagado. A ligação da Via com o Acesso Norte é destacada por ele como local com maior incidência dessas ocorrências.
O gerente da Dsip afirma que são realizadas rondas diariamente para identificar pontos com apagões, luminárias queimadas e afins, o que também é comunicado pela população no telefone 156.
O prazo estabelecido para que a empresa contratada responsável pela respectiva área faça o reparo é de 24 horas, afirma Moreira, que admite, às vezes, ser necessário mais tempo, seja pela especificidade do material (caso da Praça do Bonfim) ou pela quantidade de cabos a repor.
Sobre o dimensionamento dos serviços contratados para cada uma das áreas, o que determina também o valor de cada contrato, o gestor diz que as demandas de anos anteriores servem de base e nunca ocorreu da despesa anual exceder o previsto. Logo, os aditivos seriam correspondentes essencialmente ao tempo de vigência adicionado aos contratos, acrescidos dos reajustes anuais.