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Com preços altos, donas de casa dão dicas para uma alimentação saudável e barata

Joyce Melo | Agência Mural
Por Joyce Melo | Agência Mural
Consumo de miojo teve alta de 11% em 2020, no país, em relação ao ano anterior | Foto: Bruna Rocha | Ag. Mural
Consumo de miojo teve alta de 11% em 2020, no país, em relação ao ano anterior | Foto: Bruna Rocha | Ag. Mural - Foto: Bruna Rocha | Ag. Mural

“Não existe justificativa para comer miojo”, diz a dona de casa Josefa Soares, 50 anos, moradora de Sussuarana, mais conhecida como Jô. Com a alta dos preços, a horta no quintal, reaproveitar alimentos e frequentar a xepa em supermercados e feiras livres são algumas das dicas de donas de casa para enfrentar a alta dos alimentos e manter a saúde.

A crítica de dona Jô ao produto se dá por conta da massiva utilização dele no cardápio do brasileiro em tempos de inflação. Segundo levantamento da Associação Mundial de Macarrão Instantâneo, o consumo de miojo teve alta de 11% em 2020, no país, em relação ao ano anterior. Foram cerca de 2,7 bilhões de porções de miojo consumidas no Brasil. Contudo, a opção, prática e econômica, não é considerada saudável.

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“As famílias, principalmente pretas e pobres, infelizmente têm sido obrigadas a fazer escolhas muito difíceis na alimentação”, observa a nutricionista Rejane Viana, que faz um alerta sobre os perigos do consumo desses produtos.

“Substituições de carnes por salsicha e mortadela, arroz por macarrão, aumento do consumo de miojo, comer mais biscoitos que raízes, acrescentar farinhas para render e dá mais sustância, reduzir leites e queijos, trocar manteiga por margarina, reduzir o número de refeições, enfim, tudo isso claramente repercute na saúde, aumentando o risco de nutricídio, que são formas de morrer através da alimentação”, diz Rejane.

Orientação

Dona Jô, que considera o consumo de miojo inaceitável, indica alimentos como o cuscuz por ser igualmente barato, render mais refeições e ser mais nutritivo. “Você pode fazer uma sopa, um cuscuz, um omelete com o resto da comida que sobrou meio-dia”.

E exemplifica: “No almoço, pode ser feijão, arroz, um tipo de salada que tenha verdes, pois é muito importante para nossa nutrição, como alface, repolho, acelga. O alface é a melhor opção, já que o alface é barato”.

De olho nos preços e em uma alimentação mais saudável, a dona de casa Roseni do Nascimento, 39 anos, resolveu investir no cultivo da sua própria horta.

"Sempre gostei muito de plantas, elas tornam o ambiente mais leve e gostoso. Então, com o absurdo dos preços decidi expandir meu olhar. Agora cultivo hortelã, algumas suculentas e temperos que posso aproveitar com as raízes que compro na feira".

A moradora do Nordeste de Amaralina se diz satisfeita com os resultados. “É ótimo acompanhar o processo da nossa comida e não tem ciência no plantio. E ao invés de comprar o monte de hortelã, você colhe da sua hortinha e adiciona na comida ou naquele suco verde”, indica Rose.

Para manter uma alimentação equilibrada mesmo na crise, a autônoma Ana Paula de Jesus, 42 anos, tem suas estratégias. “Estou sempre buscando pechinchar na feira aqui do Nordeste de Amaralina. Costumo ir entre 10h30 e 11h porque os valores são mais baixos e encontro beterraba, cenoura, batata e outras verduras com boa qualidade, mas precisei reduzir a quantidade de carne".

Para substituir a carne, dona Jô costuma explorar sementes que são fontes de proteína, a exemplo da adição de quinoa e amaranto no preparo do arroz. Opta por cozinhar a lentilha e o grão de bico separadamente para adicionar em receitas com soja e feijão fradinho.

Indicações

A nutricionista Rejane Viana, 27 anos, recomenda que a substituição no cardápio sempre tenha ovo e frango. Ambos têm custo reduzido quando comparado com a carne vermelha e peixe.

Ela também indica, uma a duas vezes na semana, o consumo de vísceras, como fígado e moela e revezar até dois dias para almoço sem carne, investindo em proteínas de origem vegetal, presentes no feijão, soja, grão de bico, lentilha e outras leguminosas.

Dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto Pandêmico, divulgados neste ano, apontam que 55,2% da população brasileira, passava por alguma insegurança alimentar no final de 2020.

"Aqui em casa separamos o dinheiro das compras para o mês e quando vai acabando ficamos sem, vamos segurando a boca. Com o pouco salário, não sobra dinheiro. O jeito é esperar chegar o próximo mês e fazer as compras", contou a dona de casa Ana Paula.

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