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“Eles têm que dizer por que não negociaram”

A Tarde
Por A Tarde
| Atualizada em

Entrevista: Robinson Almeida, Assessor Geral de Comunicação do Estado

A TARDEComo o governo está vendo essa greve?

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Robinson Almeida | É importante esclarecer que é uma paralisação parcial, que não envolve toda a polícia. Na verdade, trata-se de um movimento deflagrado apenas por agentes da policia civil e escrivães. Não há participação nem de delegados, nem de peritos criminalistas. A policia militar também não está envolvida. É bom dizer que a cidade continua policiada. Foi reforçado o policiamento ostensivo na capital e no interior por ordem expressa da cúpula da Segurança.

AT | O governo está entrando com algum tipo de ação contra os grevistas?

RA - A declaração da greve foi ilegal, porque, por se tratar de um serviço essencial, deveria ter cumprido algumas exigências. Como um comunicado oficial do sindicato ao governo, com 72 horas de antecedência, e a apresentação de um plano de funcionamento dos serviços. Como esses pré-requisitos não foram cumpridos, o procurador-geral do Estado, Rui Cruz, entrou com um pedido de ilegalidade da greve junto à Justiça nesse domingo.

AT | Por que a situação chegou a este ponto?

RA - Primeiro, os policiais recusaram-se a sentar à mesa de negociação da segurança, que não funcionou bem porque o Sindpoc condicionou sua participação a uma negociação conjunta com os delegados. E a Associação dos Delegados, por sua vez, dizia que não aceitava essa negociação conjunta. Além disso, aconteceram divergências internas na representação sindical dos policiais civis. Então, o governo conseguiu fechar o acordo com todas as outras sete categorias (Derba, Fisco, Saúde, Justiça, Educação Básica, Educação Superior e Técnicos de Nível Superior), menos com a Segurança. Foi uma atitude unilateral do Sindpoc não participar da negociação. Então, nós entendemos que esse movimento da Polícia Civil é inoportuno, por causa da recusa dos representantes da categoria de sentarem-se à mesa. O fato é que a campanha salarial de 2008 está encerrada e já na quarta-feira o projeto de reajuste do funcionalismo será votado na Assembléia Legislativa. O Sindpoc se recusou a sentar-se à mesa por dez meses. Eles têm que explicar aos trabalhadores por que não negociaram com o governo, ao contrário das outras categorias, que fecharam acordos compensadores.

AT | O senhor acha que pode estar havendo uma manipulação política dessa greve?

RA - É fato que há uma divisão no Sindpoc, que tem uma diretoria que está sob questionamento judicial. É fato que o sindicato não sentou à mesa pra negociar. É fato que o governo deu um reajuste superior a 20% à categoria nos últimos dois anos. E, para o governo, o importante é que seja de fato definido quem é o interlocutor da categoria no movimento sindical pra sentar à mesa e negociar. A pergunta é: por que sete categorias de trabalhadores fecharam o acordo e apenas essa não sentou à mesa pra negociar?

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