SALVADOR
Empresário rebate acusações de motoboys

>>Motoboys protestam contra atraso de salários e sumiço de empregadores
Um dia depois do protesto de motociclistas que paralisou as entregas em domicílio de algumas lojas do Habib's e da Pizza Hut, o empresário Ferdinando Cinque, proprietário da empresa Well Service e representante da agência Mega Models, esteve na redação de A TARDE para rebater as acusações do Sindicato dos Motociclistas da Bahia. Segundo o SindMoto, a empresa teria fechado as portas na surdina, e não havia realizado o pagamento dos funcionários.
De acordo com Cinque, a Well Service não fechou as portas. A loja alugada em que a empresa funcionava, no prédio Torre do Parque (Av. ACM) foi vendida a uma clínica. A Well Service está finalizando as reformas da nova sede, no edifício Professional Center, também na Pituba. "Havia um comunicado na porta da loja que foi fechada, explicando a mudança de endereço", disse.
Quanto aos pagamentos, Cinque afirma que os funcionários receberam o dinheiro ainda na segunda-feira. "O pagamento da quinzena estava prevista para a quinta e a sexta da semana passada, mas houve um atraso no envio de relatórios das empresas e tudo teve de ser pago na quinta. Os motoboys não tiveram paciência, invadiram o escritório. Só não recebeu na sexta quem não quis esperar" relata.
Sobre a controvérsia em relação à adoção do regime de cooperativa, o empresário afirma que a iniciativa da mudança foi da Pizza Hut: "Eles já trabalham nesse sistema em outras cidades. Como um funcionário que trabalha comigo, Eliezer Lima, já tem experiência com cooperativas, ele assumiu essa transição, e deve se desligar da Well Service quando tudo estiver pronto".
Ferdinando Cinque nega ter qualquer relação com as cooperativas: "Não tenho mais interesse em trabalhar com delivery de restaurante. Já estou há bastante tempo nessa rotina estressante". O empresário disse que deve manter os contratos de outras empresas com as quais trabalha. "Quem optar pela cooperativa será desligado e recebrá os direitos".
O presidente do SindMoto Henrique Baltazar contesta as afirmações: "Ferdinando está simulando um racha na empresa para não pagar os direitos trabalhistas. Vai mandar embora os trabalhadores, mas tenta enrolar todo mundo com a cooperativa, dizendo que eles não estão ficando desempregados. O responsável pela cooperativa é um laranja", acusa.
Baltazar reforça as acusações do mau tratamento prestado aos funcionários: "Noventa por cento dos funcionários não tem carteira assinada. Quando a Delegacia Regional do Trabalho chega na empresa, ele esconde quem está em situação irregular. É um fraudador". Cinque nega: "Todos os meus funcionários, depois de um período de experiência de três meses, são regularizados".
Ferdinando Cinque também nega as acusações dos motoboys Fabiano Luquini e Augusto Cravo. O primeiro disse não ter recebido assistência médica depois de um acidente, e ter sido demitido logo depois de voltar ao trabalho, no último domingo. "Luquini nunca foi afastado, e trabalhou normalmente após o acidente", afirma, mostrando uma folha de pagamento deste mês, na qual não há interrupção registrada da freqüência do motociclista. "Ele foi demitido na quinta-feira, e não no domingo".
Augusto Cravo disse ter sido obrigado a trabalhar em turnos abusivos, das 4h às 23h, senão seria demitido. Cinque nega: "Cravo trabalhava das 4h às 6h da manhã, entregando jornais, e das 18h às 23h, em restaurante. Quando fazia algo além disso, era por própria vontade, já que era um fominha de serviços extras".