SALVADOR
Enterradas mãe e filha levadas pela chuva na última terça em Salvador

Comoção, desespero e perplexidade eram expressões marcantes nos rostos das centenas de pessoas presentes no enterro de Beatriz Santos Pereira, 6 anos, e Fernanda Bispo dos Santos, 28 anos, na manhã desta sexta-feira, 8, no cemitério Bosque da Paz, na Estrada Velha do Aeroporto. Elas morreram após cair numa vala aberta na avenida San Matin e serem arrastadas pelas águas da chuva na última terça.
Moradores da Av. San Martin, das proximidades da rua Progressista, onde Fernanda e Beatriz viviam, chegaram em cinco ônibus coletivos lotados. Parentes, vizinhos e amigos, entre elas coleguinhas da garota da Escola Sonho de Criança, formaram fila para dar o último adeus a mãe e filha, que perderam as vidas após caírem numa vala e serem levadas pela enxurrada na última terça-feira, 5.
O motoboy Gerônimo Pereira, marido de Fernanda e pai de Beatriz, permaneceu em silêncio durante o velório, recebendo os abraços e palavras de apoio. Nas camisas dos amigos e parentes uma mensagem de consolo e saudade, para um sentimento eterno. ”Deixaram saudades. As pessoas nunca morrem quando permanecem vivas dentro dos nossos corações”, eram os dizerem estampados nas blusas, com a fotografia de mãe e filha abraçadas. Desespero e saudade vieram como revolta.
”As autoridades infelizmente só aparecem em época de voto. Não é possível. Quantas outras Bias, quantas outras Fernandas vão ter que morrer? Agora é preciso ter coragem para denunciar. É gritar por cima da dor. Porque eles sabem que todos os anos a chuva acaba com Pau da Lima, Pirajá, Santa Mônica, Av. San Martin, e não se faz nada!”, desabafou Edilene Sampaio dos Santos, 33 anos. Ela era amiga de Fernanda, e seu filho estuda na escola em que Beatriz estudava.