SALVADOR
Entidades lutam contra extermínio de jovens

FOLHAPRESS
SÃO PAULO Entidades ligadas ao movimento negro e de direitos humanos lançaram ontem a campanha Não Matem os Nossos Jovens: Eu Quero Crescer. A campanha é uma extensão do movimento iniciado em 1991, que usou como base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para alertar a população sobre o número de jovens pobres e negros mortos no País.
A campanha, organizada pela Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), foi retomada para mostrar à população que o extermínio da população jovem negra não diminuiu e sim aumentou. O Conen pretende ainda pressionar os governos estaduais a elaborarem e desenvolverem políticas públicas voltadas para essa população.
Segundo um dos coordenadores do Conen, Julião Vieira, dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostram que a cada ano morrem, pelo menos, 30 mil jovens no Brasil. A faixa etária é de 14 a 25 anos de idade, e a grande maioria é de pobres, negros, moradores das periferias dos grandes centros urbanos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e alguns Estados da Região Norte. Vieira disse ainda que, com a campanha, o Conen pretende mostrar à população que, para construir uma nação igualitária, justa e democrática, é preciso manter a juventude viva.
Ele explicou que, na avaliação do Conen, o governo estadual de São Paulo, onde se inicia a campanha a ser ampliada para todo o País, não tem cumprido com seu papel na recuperação e formação dos jovens que vivem nas periferias. Não há nenhum programa ou projeto voltado para essa juventude. Muito pelo contrário. Não há ações para resolver o problema do extermínio, do desemprego da juventude.
A campanha continuará em Salvador, onde será realizado um seminário nacional, previsto para maio, no qual os estados receberão informações sobre a necessidade de as entidades voltadas ao movimento negro realizarem ações públicas e reuniões com os secretários estaduais de segurança pública, educação e trabalho.