SALVADOR
Entrega e renúncia por amor
Matéria publicada na edição do dia 07/05/2008 no Jornal A Tarde
Aos 49 anos, a advogada Ana Elisa Barros, hoje com 53, viu sua vida mudar por completo com a chegada da pequena Ana Rafaele.
Ela era solteira, trabalhava bastante e vivia viajando. Tinha tudo o que desejava a seu alcance e não precisava dar satisfações a ninguém. Hoje, Rafinha, 6 anos, como a filha é carinhosamente chamada, toma boa parte das atenções. “Ela é minha prioridade”, atesta.
Ser mãe solteira, a princípio, parecia uma boa pedida, mas com o tempo viu surgir uma nova demanda: a necessidade de um pai. Ana Elisa, que já havia dividido contas antes e não cogitava voltar a compartilhar o mesmo teto, acabou se abrindo à possibilidade após os insistentes pedidos de Rafinha “eu quero um pai”, bradava.
Ana Elisa acabou conhecendo um português pela internet e resolveu dar uma chance ao coração.
Dos primeiros contatos até resolverem viver juntos foi um ano e meio entre idas e vindas de Portugal ao Brasil. As coisas foram dando certo e Rafinha logo aprendeu a chamar o namorado da mãe de pai. Ana Elisa acredita que o relacionamento, que já dura 14 meses, ajudou a equilibrar a educação da filha, pois enquanto ela é mais flexível, o marido é mais enérgico.
Antes de tudo isso acontecer, Ana Elisa era uma mulher inteiramente dedicada à profissão.
“Eu era muito voltada para mim mesma”. Depois de tornar-se evangélica, no entanto, passou a fazer trabalhos filantrópicos que a ajudaram a desenvolver o desejo de ser mãe, que havia adormecido. Ela já se aproximava dos 50 anos quando sentiu que era o momento. Então, se inscreveu no juizado da infância e aguardou. Foi em pleno dia das crianças, em 2002, que a menina chegou a sua casa.
Primeiramente, estava prevista a ida de Sabrina, de 6 meses, mas por conta de uma virose que a impediu de sair, Rafinha foi a enviada. “Ela estava esperando uma mãe e eu esperava uma filha. A gente tinha que se completar“, afirma Ana Elisa. A garota foi adotada com um ano e quatro meses de idade.
“Rafinha modificou literalmente minha vida. Antes eu só pensava no meu aniversário.
Hoje esqueço do meu e lembro do dela. Me sinto muito mais realizada agora”, assegura a mamãe, que se define como uma leoa. Para ela, maternidade significa entrega e renúncia. “Me sinto mãe. Não precisa sair do ventre não. A gente sofre igual, não tem diferença nenhuma“
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