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Entulho e lixo aumentam perigo de deslizamentos nas encostas

Alana Fraga e Danile Rebouças, do A TARDE
Por Alana Fraga e Danile Rebouças, do A TARDE
| Atualizada em

Na tarde desta sexta, um caminhão descarregava grande quantidade de entulho em Pau da Lima, ao pé da encosta e nas margens do Rio do Beco do Bozó. A situação é comum em áreas de risco em Salvador e expõe moradores ao perigo com a chegada das chuvas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê um final de semana com pancadas de chuva nas madrugadas e início das manhãs.

Além de entulho, o lixo doméstico se acumula em volta das casas que ocupam irregularmente o local. No ano passado, o excesso de resíduos sólidos nas encostas foi o principal responsável por mais de 90% dos deslizamentos registrados pela Defesa Civil de Salvador (Codesal), segundo o coordenador de áreas de risco geológico da Codesal, Marco Túlio Miranda. “O lixo facilita o deslizamento porque além de ser matéria agregada, retém umidade no solo, facilita o encharcamento e potencializa o risco de deslizar”, explica.

Coleta - A Limpurb trabalha apenas com dez fiscais para uma população de quase três milhões de habitantes. Cabe aos fiscais atuar contra o descarte irregular de entulho. O presidente da empresa, Álvaro da Silveira Filho, reconhece a deficiência de fiscais e afirma que o órgão está em fase de planejamento de concurso para novos servidores. “Aqui o povo joga o entulho e o carro da prefeitura nunca passa para retirar. Quando chove, o rio sobe, alaga tudo. Ano passado, caiu uma casa”, relata Edineia Pereira, 22 anos, moradora do Jardim Cajazeiras, ao lado do Beco do Bozó.

Álvaro da Silveira considera a coleta suficiente e atribui à população a responsabilidade pelo acúmulo do material nas ruas e encostas. Segundo Álvaro, há cerca de nove anos a Limpurb mantém o roteiro básico de coleta, acrescentando apenas novos pontos e horários. Álvaro destaca que somente este ano a Limpurb fez 5.800 intervenções de orientação de descarte de lixo em escolas e bairros.

A coordenadora do Grupo de Resíduos Sólidos do Departamento de Engenharia Ambiental da Ufba e coordenadora do mestrado em meio ambiente, águas e saneamento, Viviana Zanta, diz que 60% do lixo brasileiro é de matéria orgânica, que absorve mais água, sendo que a população mais pobre consome mais esse tipo de material do que o seco. Viviana aponta a necessidade do desenvolvimento de um trabalho sistemático de limpeza das encostas e eficiência da coleta pública, com realização de campanhas educativas, aliadas a ações que avaliem o risco da moradia.

Túlio Miranda citou como exemplo a tragédia na Rua 1º de Janeiro, Pirajá, onde três pessoas morreram soterradas no ano passado. Cerca de 300 metros cúbicos de descartes de obras realizadas nas encostas por moradores do local caíram sobre a casa das vítimas. “Não houve deslizamento de terra, foi concreto, vigas e outros materiais de obras que foram descartados nas encostas”, afirmou.

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