SALVADOR
Escola em Boa Vista do Lobato em condições precárias

Paredes e lage com infiltrações e graves rachaduras, tetos sustentados por estruturas de ferro improvisadas, riscos de desabamento e apenas quatro, das dez salas de aula, em condições de uso. A situação descrita é da Escola Municipal Engenheiro Gilberto Pires Marinho, em Boa Vista do Lobato.
Os 832 alunos, da educação infantil ao 5º ano, estão estudando em sistema de rodízio, já que a maioria das salas de aula, localizadas no prédio central do colégio, foi interditada em maio deste ano pela Secretaria de Educação (SEC) a pedido da direção. “Eu mesmo comuniquei à Codesal (Defesa Civil) e pedi para que interditasse o local porque não tinha condições de deixar as crianças em aula ali”, alegou o diretor do colégio, Herculano Filho.
Segundo o diretor, o problema teve início em outubro do ano passado, quando a secretaria mandou fazer a troca do tanque de água, localizado acima do prédio. Filho conta que, durante a troca, a telha foi rachada e, para conter a água, foi colocada uma manta betuminosa. “Mas demoraram para fazer esse serviço e isso acarretou numa série de problemas na parte elétrica, perdemos a pintura das paredes e abriram-se rachaduras”, explicou o diretor, garantindo que, até ontem, não havia recebido a visita de nenhum engenheiro por parte da secretaria para averiguar o problema. “Só veio uma técnica aqui, mas engenheiro não apareceu nenhum. Já informei, pessoalmente, a todos os setores da secretaria e estão todos cientes da situação”, afirmou.
Após a visita da reportagem do jornal A TARDE na escola, um engenheiro do setor da SEC foi ao local para produção de um laudo que deve sair entre 20 e 40 dias.
SEC e direção escolar procuraram um espaço no bairro para alugar enquanto o problema não é solucionado. No entanto, segundo o diretor, a comunidade não possui um prédio que comporte as necessidades dos alunos, com salas amplas e ventilação, devido à preocupação com a propagação da gripe A.
Conforme informações da secretaria, passadas através da assessoria de comunicação, em acordo que será firmado entre o setor de engenharia do órgão, a direção da escola e os conselhos escolar e municipal de Educação vão determinar, após a conclusão do laudo, como e quando serão realizadas as obras, de maneira a afetar, o mínimo possível, o ano letivo dos alunos.
Conforme declaração da SEC, sempre que acontece rodízio de aulas, as escolas municipais encaminham atividades complementares para os alunos realizarem em casa. Se, mesmo assim, a direção julgar insuficiente, há reposição de aulas marcadas em consenso entre os conselhos de Educação.
AMPLIAÇÃO - Além da reforma do prédio, o diretor anseia por uma ampliação no colégio, que não oferece nenhum espaço além das salas de aula. “Não temos uma biblioteca, uma sala de leitura, nem brinquedoteca, sala de informática, nada. E essa é uma escola considerada de grande porte pelo número de alunos”, destacou Filho. Diretoria, secretaria e sala de professores concentram-se em um mesmo e limitado espaço. Filho lembra que, há um ano, o secretário Carlos Soares garantiu, perante toda a comunidade, a ampliação da escola.
A reduzida disponibilidade de vagas, devido à falta de estrutura na escola e ao crescimento da comunidade, é motivo de frustração e até choro por parte dos pais, conforme relato do diretor, que não aceitam matricular os filhos em escolas de outros bairros por serem mais distantes.
De acordo com a assessoria da SEC, todas as escolas reinauguradas, depois que passam por reformas, ganham algumas das estruturas, como sala de leitura ou biblioteca.