SALVADOR
Escolha do cuidador de idoso exige cautela

Com cerca de 1,4 milhão de baianos acima de 60 anos e com uma expectativa de vida em torno de 73 anos, está cada vez maior a procura por profissionais qualificados para cuidar de idosos.
Entretanto, o caso da assassina de idosos Roquelina de Souza e o histórico de aproximadamente 15 mil agressões registradas contra idosos em Salvador, desde 2006, na Delegacia Especializada de Atendimento ao Idosos (Deai), mostram que, além de possuir treinamento especializado, paciência e afetividade, o cuidador de idosos precisa ser uma pessoa idônea.
Delegada titular da Deai, Susy Anne Brandão entende que o número de agressões registradas não corresponde a 16% da violência praticada contra os idosos. “Quem mais agride o idoso é quem está próximo dele, mas, por diferentes motivos, a maioria dos casos não é denunciado. Portanto há uma subnotificação", explica Susy Anne.
A delegada ressalta ainda que o universo de agressões contra idosos não se resume à violência física. Segunda ela, furto, violência doméstica, psicológica, sexual, crimes contra honra, e estelionato são os crimes mais denunciados pelas vítimas.
“Cerca de 70% dos crimes foram praticados por homens; 60% das vítimas são mulheres; 80% estão intimamente ligados as vítimas, ou seja, 60% são familiares e 20% flutuam entre amigos e vizinhos e o restante por desconhecidos”, informa.
Obrigação - Diretora do Centro de Referência de Atenção ao Idoso (Creasi), Mônica Hupsel explica que, mesmo para familiares, a atividade de cuidar de idosos é estressante.
“Não é fácil ver uma pessoa que você ama e que cuidou de você em uma situação, por exemplo, de demência. Além de orientar os cuidadores, oferecemos um programa de apoio psicológico”, informa.
A médica explica ainda que o Estatuto do Idoso (Lei Federal Nº 10741/03) obriga os profissionais de saúde que suspeitarem de maus tratos contra idosos a denunciarem o caso ao Ministério Público, autoridade policial ou conselho municipal, estadual ou federal do idoso.
Vice-presidente da Sociedade Baiana de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Íris Soeiro, afirma que há três tipos de pessoas que buscam cursos de formação de cuidadores de idosos: os que desejam cuidar de familiares, os que pretendem ter informações sobre envelhecimento saudável e os que se interessam em ingressar no mercado de trabalho. "A maioria busca capacitação para o trabalho", pontuou.
Demanda - Um retrato da demanda atual por esses profissionais ocorre no curso oferecido pelo Centro Geriátrico das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). Lá, as 90 vagas disponibilizadas para o curso, que terá início no dia 03 de outubro, foram preenchidas no último dia 12.
"No dia que abrimos as vagas, elas foram preenchidas. Havia uma fila de mais de 200 pessoas. Por conta disso, abriremos nova turma em janeiro", disse a coordenadora da Centro Geriátrico da Osid, Terezinha Pacheco.
Sócio da empresa Home Angels, o fisioterapeuta Nathan Loureiro explica que a procura pelo serviço de cuidador de idosos profissionais é recente e que os preços cobrados dependem de avaliação dos pedidos do cliente e de sua família.
“Além do atendimento personalizado, acompanhamos constantemente nossos cuidadores e apresentamos relatórios semanais às famílias”, destaca.
Segundo o empresário, a profissão não é regulamentada e possui um piso que varia de R$ 600 a R$ 700. “O perfil do profissional que o mercado procura é de uma pessoa proativa, paciente, com curso técnico em enfermagem e que goste de cuidar de idosos”, explica Loureiro.
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