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Escuta cita esquema na SMS envolvendo consultora Tânia Pedroso

Samuel Lima, do A Tarde
Por Samuel Lima, do A Tarde

A gravação de um diálogo ao telefone pode mudar os rumos da investigação em torno do nebuloso assassinato de Neylton Souto da Silveira, funcionário da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), cometido em 6 de janeiro, na sede do órgão, no Comércio. Na audiência desta quarta, no Fórum Ruy Barbosa, a promotora Armênia Cristina Santos divulgou conteúdo de conversa – segundo ela, interceptada com autorização judicial – entre uma das testemunhas arroladas, Marcos Falcão Nascimento, subcoordenador administrativo da SMS, e outro funcionário do órgão, identificado como Luciano Natal.

No diálogo, ocorrido 20 de fevereiro, Luciano menciona a fuga de duas pessoas que estariam envolvidas na morte e um suposto esquema de corrupção que beneficiaria a ex-subsecretária da SMS Aglaé Amaral e a consultora Tânia Maria Pedroso – ambas apontadas no processo como mandantes do assassinato de Neylton.

Na sessão, a promotora narrou a transcrição da escuta telefônica, mas o juiz Cássio Miranda, titular da 1ª Vara do Júri, requereu a inclusão da gravação completa nos autos do processo. Ao juiz, Falcão alegou desconhecer o assunto mencionado por Luciano e que emitiu respostas ao interlocutor com base no que “saiu nos jornais”.

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O magistrado confirmou que Luciano será intimado a depor na sessão que dará continuidade à audiência – marcada para 1º de outubro. “Se necessário, convocaremos novamente o senhor Marcos Falcão para depor e faremos uma acareação entre os dois”, declarou o juiz Cássio Miranda.

Na mesma sessão, estão programadas as oitivas das testemunhas arroladas – o ex-secretário municipal de Saúde Luís Eugênio Portela e o coordenador administrativo da SMS, Antônio Pitiá – e o jornalista Deodato Alcântara, este como testemunha do juízo. Os três informaram não ter comparecido à audiência de ontem por não terem sido notificados oficialmente.

“Parece que esse telefonema pode trazer um novo rumo ao processo. Por isso acho um absurdo essa acusação contra mim”, afirmou Tânia Pedroso, destacando a referência a duas outras pessoas e descartando a menção que a compromete. “A polícia já tinha essas informações e não teve interesse em investigar”, acusou Marcos Melo, advogado de Aglaé. Os vigilantes Josemar dos Santos e Jair Barbosa da Conceição, acusados de matar Neylton, apontaram as rés como mandantes do crime.

Difamação – A superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce, Maria Rita Lopes Pontes, confirmou ter entrado com ação de difamação contra Nelson Augusto Neto, filho de Neylton, que declarou na Justiça que o pai havia comentado ter sido obrigado a pagar à instituição R$ 1,5 milhão em vez de R$ 800 mil de uma fatura. “Ele já se desculpou, mas foi uma declaração irresponsável”, disse Maria Rita. Além dela, a funcionária da SMS Rosemeire Santos também depôs na audiência desta quarta.

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