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Esgoto polui área de parque no bairro de Pernambués

Maiza de Andrade, do A TARDE
Por Maiza de Andrade, do A TARDE

O Parque Ecológico do Vale Encantado, de Patamares, ainda não saiu do papel, mas as agressões à área estão a todo vapor. Em plena mata atlântica, onde árvores de sucupira e as palmeiras de pindoba ultrapassam 20 metros de altura, um esgoto entupido derramou milhares de litros de dejetos sobre a vegetação até formar um córrego. Seguindo a drenagem natural, o córrego malcheiroso levava sua contribuição para as lagoas do vale, onde ainda resiste, dentre outras espécies da fauna silvestre, o socó-boi, ave que somente sobrevive em ambientes de água limpa.

Segundo a Empresa Baiana de Águas e Saneamenteo (Embasa), o esgoto vem do Alphaville, mas o entupimento ocorreu do lado de fora dos muros do condomínio em área da responsabilidade da empresa. Todo o vale é margeado pelo chamado interceptor do Passavaca – uma adutora de concreto construída em 1995 pelo Bahia Azul, e para onde são carreados os esgotos da região da Avenida Pinto de Aguiar, da Paralela e Patamares, e, de lá levados para a Estação da Embasa no Rio Vermelho.

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Dali, segue para o mar através do emissário submarino. Em vários pontos do inteceptor, de 8 km de extensão, há os chamados poços de visita com tampas que podem ser removidas para manutenção do sistema. Foi justamente num desses poços que o esgoto transbordou. De acordo com o morador do Condomínio Colinas C de Patamares, Eloy Lorenzo, até a manhã desta sexta-feira, quando a Embasa anunciou que corrigiria o problema, o vazamento já tinha durado mais de três meses.

Vistoria – O superintendente de esgotamento sanitário da Embasa, Cantídio Duarte, ao ser informado da ocorrência pela reportagem de A TARDE, acionou a equipe de manutenção para ir ao local. Segundo ele, a vazão no local é estimada em 400 litros por segundo. Cantídio explica que não é possível para a empresa vistoriar todos os poços de visita da rede da cidade, que tem 3.600 km de extensão.

Ele alerta para que a população comunique os casos através da linha 0800555195. “Isso é corriqueiro e o serviço é rápido. Nossa marca é de 12 horas para o atendimento, um dos menores tempos do País”, ressalta. Um dos principais ativistas para a criação do parque, Eloy Lorenzo reclama da degradação que a área está sofrendo, antes mesmo de ser demarcada. “O parque está previsto no PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) mas até agora não foi demarcado e regulamentado”, diz.

Ele vê boa vontade no prefeito João Henrique, mas reclama da demora do órgão ambiental municipal em dar seguimento à criação do parque. “Precisamos de uma definição e de estrutura de segurança com a presença da Guarda Municipal para a proteção da área”, diz.

Consulta – Em dois dias de consulta à Superintendência Municipal de Meio Ambiente (SMA), órgão da Secretaria de Desenvolvimento Habitação e Meio Ambiente (Sedham) não foi possível saber a quantas anda a demarcação das poligonais do parque. O superintendente Luiz Antunes Nery disse que o parque já está assegurado. “O mais difícil já foi feito”, disse, se referindo à previsão do parque na lei que instituiu o Plano Diretor (7.400/2008). Nery não informou quem estaria cuidando do caso.

Já o secretário Antônio Abreu se referiu ao parque como algo ainda “imberbe”, ou seja, muito novo. Ele não indicou quem estaria cuidando do caso na Sedham, mas, por estar em viagem fora do Estado, pediu para dar mais informações na próxima semana. O maciço de verde que forma o parque, estimado em dois milhões de metros quadrados, é o que restou da mata nativa desde que foram implantados os condomínios entre a Avenida Paralela e a orla.

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