SALVADOR
Espaço do Leitor

Por JORNAL A TARDE
Senha da impunidade
Nos últimos cinco anos, as declarações que mais se vê nos meios de comunicação, ditas por autoridades sempre que acontece um ato de corrupção ou a prática de algum fato ilegal, é: Vamos abrir uma sindicância para apurar e punir os culpados. Doa a quem doer. Só que, depois, nunca mais se tem notícia da sindicância anunciada. Tornou-se assim, para a sociedade, a senha de que nada vai acontecer. Sugiro a criação do Ministério da Sindicância, que reuniria todas as sindicâncias municipais, estaduais e federais anunciadas . Só um reparo: o ministro seria eleito. Não poderia ser indicado pelo presidente.
Alcobaça BA
Calibre 38
Depois de ter a conta corrente calibrada com 38 mil reais a mando de quem só a elite política deve saber , o esperto caseiro, testa-de-ferro, resolveu detonar o ministro, pouco importando o teor das acusações. Deve ter retardado a iniciativa, condicionando-a ao polpudo depósito, numa demonstração inequívoca de que o denuncismo irresponsável não vai parar por aí. A propósito, por qual motivo não concluem as investigações dos políticos envolvidos até o pescoço com lavagem de dinheiro nos paraísos fiscais? A era FHC foi pródiga em formação de quadrilhas, cujos políticos resolveram inverter os papéis, passando de investigados a investigadores. Pelo que se pode depreender, a impunidade consolida-se a cada dia, envolvendo políticos viciados e facilmente identificados. É preciso agir com rigor, afinal, lugar de bandido é na cadeia.
Imbuí Salvador
Velha e triste Bahia
A cidade não acompanha o progresso. Com suas ruas sujas e esburacadas, cheira a xixi e as calçadas estão destruídas. No centro, no lugar de modernos calçadões, feiras livres com frutas e verduras expostas sem nenhuma higiene. Pontos turísticos sem nenhum atrativo. Subúrbios com esgotos a céu aberto. A orla, a mais feia e pobre. Casarões seculares abandonados. Velha e triste Bahia. Ainda dizem que a Bahia cresceu mais que o Brasil.
Salvador BA
Dejetos no mar
Sou americano e, ao passar um mês na Ilha de Itaparica, notei que as lanchinhas que fazem o trajeto Mercado Modelo/Mar Grande devem lançar no mar os dejetos dos sanitários de bordo, assim como o lixo acumulado. Em uma das minhas travessias, observei que uma outra lancha vazia deixou um rastro de lixo e dejetos no mar. Também nunca vi nenhum sistema de limpeza pelo processo de sucção nos toiletes, presumindo que, realmente, a sujeira vem sendo jogada no mar, sem que haja punição. Os banheiros da estação de passageiros de Mar Grande são um horror. As fossas transbordam, exalando mau cheiro e, provavelmente, lançando os dejetos no mar. Mar Grande é um ponto de entrada de turistas e, desse jeito, é uma vergonha para a Ilha, para a Bahia e para o Brasil.
Califórnia EUA
Riqueza desperdiçada
Nada menos de 65% dos medicamentos têm origem em produtos da natureza, e, destes, 90% foram elaborados a partir de conhecimentos tradicionais (como os utilizados pelos indígenas). Ora, o Brasil está lutando para ter direito ao lucro proveniente da comercialização destes medicamentos, derivados da nossa flora, o que é muito justo. Só não dá para entender por que nós mesmos não investimos em pesquisas visando ao aproveitamento de recursos da natureza na produção de fármacos e cosméticos. Uma grande fonte de riqueza está presente na fauna e no conhecimento de povos que utilizam seus elementos na cura de diversos males. Quanto não perdemos por isso, por acomodação ou sei lá o quê? Basta ver a força econômica dos laboratórios farmacêuticos e os preços nas farmácias.
Salvador BA