SALVADOR
Espadeiros preparam guerra em Periperi no São Pedro

Divulgadas em todo o país pela tradição no município de Cruz das Almas (a 146 quilômetros de Salvador), as guerras de espadas são mais comuns no São João e no interior do Estado. Na véspera do São Pedro, entretanto, é na rua Dr.Almeida, em Periperi, que as espadas vão correr. Há 5 anos, o jovem Jutaí Santos da Silva,25, é um dos cerca de 250 espadeiros que fazem a já tradicional guerra de espadas do bairro.
No dia 28 de junho, Jutaí se junta a espadeiros locais e até de fora de Salvador para queimar os fogos, que começaram a ser preparados desde o São João e são a principal atração da festa no bairro. “Vem gente de vários lugares, a festa vai até a madrugada”, conta. Segundo ele, cerca de 3600 espadas devem ser acesas durante toda a noite de sábado, 28.
A tradição que ele aprendeu com o tio, espadeiro há 25anos, interessa também aos mais jovens. O adolescente Jackson Silva,15, ignora o receio da mãe, Afigência Silva, e também entra na guerra. “Às vezes toco uma ou outra, é divertido”, diz, acostumado com o que considera uma brincadeira. Já a mãe não fica nada tranqüila com o fogo das espadas. “Gosto de ver, mas bem de longe”, revela.
Fiscalização - Segundo o delegado titular da 5ª Delegacia de Polícia, Deraldo Damasceno, localizada no bairro, se houve queima de espadas no São João, não foi motivo de incômodo para os moradores, já que não houve ocorrência registrada. “Não tivemos problemas, mas nós aqui vamos coibir a prática e qualquer aglomeração para a guerra de espadas será dispersada”, garante. Segundo ele, não existe nenhuma ação específica das polícia civil e militar para o São Pedro, mas os abusos serão evitados.
Os moradores, entretanto, dizem que a tradição fala mais alto. “Aqui ninguém se incomoda, porque já acontece todo ano mesmo, todo mundo já sabe e fica preparado”, diz o comerciante Caetano Rocha. Segundo ele, o número de acidentes com as espadas não chega a preocupar. “Não é como em Cruz das Almas, porque pouca gente vai pra cima”, compara.
O coordenador de fiscalização da Coordenadoria de Produtos Controlados da Polícia Militar (CPC) diz que desconhece a guerra em Salvador, mas lembra que a queima de fogos é livre, desde que respeitada a regra para a compra. Em Salvador, o único local autorizado a comercializar fogos de artifício é a feira localizada na Avenida Paralela, realizada pela Associação dos Comerciantes de Fogos de Artifício de Salvador.
Alguns comerciantes precisam fechar as portas antes do horário de costume, para se defender das espadas, que chegam a invadir casas e estabelecimentos comerciais dos desavisados. O funcionário de locadora Leandro de Lima já aprendeu. “No São João, que pensei que não ia ter, eles começaram já umas 15h e fechei antes do horário, no São Pedro então...” comenta.