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Especialistas alertam para risco de envenenamento no combate a pragas urbanas

Danielle Lima, do A TARDE On Line
Por Danielle Lima, do A TARDE On Line
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Bastaram alguns minutos de distração para o cachorro da família comer o veneno que a dona de casa Mariá Paranhos espalhou para combater os ratos em sua residência em Itapuã. Sua filha, a funcionária pública Rosemary Paranhos, logo percebeu os sintomas do envenenamento em Billy. “Levamos ele imediatamente ao veterinário e foi a nossa sorte, se não ele teria morrido” relata. Casos como este ainda são frequentes e são um dos principais problemas apontados pelos especialistas no uso indiscriminado de venenos e inseticidas para o controle de insetos, roedores e outras pragas urbanas.

Para combater o problema, a Associação Baiana de Empresas Controladoras de Pragas (ABCPRAG) promete incentivar uma maior fiscalização na venda de raticidas e de outros venenos. “A banalização no uso desses produtos é um problema grave, pois eles envenenam o ambiente e a sua utilização exagerada pode provocar a resistência nos animais”, alerta Antônio Moura, vice-presidente da ABCPRAG. “Se as pessoas lessem os rótulos com atenção, não usariam tanto”, opina. O tema foi um dos pontos discutidos no Fórum Nacional de Vetores e Pragas Urbanas, realizado nesta quinta, 23 e sexta-feira, 24, em Salvador.

De acordo com Artur Dias Lima, professor de Saneamento e Parasitologia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), o combate a baratas, ratos e formigas deve ter o foco na prevenção. “Se o local oferece condições, esses animais se multiplicam rapidamente”, explica ao apontar o acúmulo de lixo nas ruas, a falta de saneamento básico e de higiene doméstica como o cenário ideal para o crescimento das pragas urbanas, que são os animais trasmissores de doenças que se aproveitam de alimento e abrigo disponibilizados pelo homem para se proliferar.

O professor alerta sobre o risco que as pragas representam para a saúde das pessoas. “As baratas podem transmitir mais de 50 doenças como febre tifóide, verminoses, alergias respiratórias e, principalmente, bactérias causadoras da diarréia, como a salmonela”, exemplifica. Ele defende que é preciso tomar cuidado também com as formigas, que normalmente não são tão combatidas quanto baratas e outros insetos, mas que também vivem em locais onde há lixo e deposição de alimentos. Lima ainda faz um alerta com relação aos pombos, que são grandes transmissores de fungos e já se tornam uma praga urbana em muitas cidades. “As pessoas precisam ter ciência das doenças que cada um desses animais pode transmitir, para ter a preocupação e então fazer o trabalho preventivo”, salienta.

Em Salvador, os bairros mais atingidos com a proliferação de insetos e roedores estão nos Distritos Sanitários do Subúrbio Ferroviário e de Pau da Lima, segundo levantamento feito pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Os dados são reforçados pelas características do saneamento básico e da coleta de lixo na capital. A Embasa registra que cerca de 20% da população soteropolitana não tem cobertura do sistema de esgotamento sanitário, porcentagem que se concentra em bairros periféricos com pouca ou nenhuma infra-estrutura. Já o acúmulo de lixo é verificado em áreas de difícil acesso na capital, de acordo com levantamento realizado pela Proema Engenharia e Serviços para a Limpurb, em 2007 (clique aqui e veja a série de reportagens do A TARDE On Line sobre o problema do lixo na cidade).

Além disso, as condições de higiene das próprias residências facilitam a multiplicação das pragas urbanas. “Mesmo com todas as ações de saneamento básico e de coleta de lixo, precisamos também da colaboração das pessoas” afirma Lucrécia Rocha, do CCZ. Ela defende que medidas básicas como não deixar alimentos disponíveis, manter o lixo ensacado e em recipiente fechado, além de observar os horários e locais de coleta podem fazer a diferença. "Com os cuidados básicos de higiene às vezes nem se torna necessário o uso do veneno" destaca.

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