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Especialistas da área criticam privilégio para carros e motos

Yuri Silva
Por Yuri Silva
| Atualizada em

Ex-diretor da Companhia Municipal de Transporte Coletivo de São Paulo, o militante do Movimento Passe Livre Salvador Walter Takemoto explica que o crescimento do transporte individual é fruto do incentivo do governo federal ao setor, com redução de taxas de financiamento de carros e desoneração de tributos para a indústria automobilística.

>> Transporte individual cresceu 30,5% em Salvador nos últimos cinco anos

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“Houve uma política deliberada de incentivo ao consumo de veículos, pois isso representou um dos pilares do governo federal no combate à crise econômica, e não houve investimento na mesma proporção no transporte de massa”, analisa.

Entre 2002 e 2013, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgados pelo jornal O Estado de São Paulo e utilizados pelo especialista para comentar o assunto, a inflação acumulada atingiu 83%, enquanto preços de carros e motos subiram 6,3% e 4,3%, respectivamente.

No mesmo período, ainda conforme levantamento do Ipea citado, o preço da gasolina subiu apenas 43,9%, graças à política de incentivo ao uso de carros e motos.

“Por outro lado, o preço das tarifas de ônibus coletivo subiu 111,1%. Já quando a gente fala de tarifa de metrô, essa elevação foi de 94%”, compara o especialista.

Continuamos longe de enxergar que o transporte coletivo deveria ser o modo dominante

Segurança viária

Ele defende que o agravamento dos congestionamentos por causa dessa política “tende a aumentar os tempos de viagem e provocar uma degradação das condições de vida nas grandes cidades, principalmente em decorrência de colisões e atropelamentos”.

Para o sociólogo e especialista em segurança viária, Eduardo Biavati, o estudo “confirma o fracasso do país na política de mobilidade”.

Ele critica a demora para a finalização de obras prometidas para a Copa do Mundo de 2014 e o desrespeito à Política Nacional de Mobilidade Urbana, que em 2012 instituiu como diretriz priorizar o transporte coletivo.

“As pessoas não vão ficar esperando 10 anos para que o transporte coletivo seja priorizado. Elas vão resolver o problema objetivo de ter que ir para a escola, para o trabalho, e elas vão de moto e de carro”, avalia Biavati. Para o especialista, o documento divulgado pela CNT “aponta que, apesar de milhões investidos, continuamos muito longe do ideal”.

“Essa é a continuação do modelo de mobilidade que o Brasil vem sustentando há muitas décadas. Continuamos longe de enxergar que o transporte coletivo deveria ser o modo dominante, para diminuir a dependência dos carros e motos”, afirma.

Ele prevê que o aumento da frota deve ser re-acelerado após a superação da crise econômica. Esse avanço, na opinião de Biavati, “levará ao conflito, ao acirramento da disputa pelo espaço nas vias das cidades”.

“O Brasil não chegou na motorização da Argentina. A situação ainda pode piorar muito a médio prazo”, antevê o especialista.

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