SALVADOR
Especialistas divergem sobre detonação na obra do metrô

“Todos os cuidados foram aplicados, mas há sempre a imprevisibilidade”. Assim diretor de planejamento da Companhia de Transportes de Salvador (CTS), Paulo Macedo, resume sua explicação sobre o incidente ocorrido no último sábado na Rua da Alegria dos Barris, quando uma detonação das obras do metrô causou danos em casas do local. Vidraças foram quebradas, telhas deslocadas e alguns moradores garantem que a vibração abriu rachaduras nas paredes.
A declaração divide opiniões. Para o coordenador da Câmara de Engenharia de Minas do Crea-BA, Paulo Gomes, é realmente impossível eliminar totalmente os riscos desse procedimento, principalmente quando é realizado em área urbana. Ele defende que essa obras deveriam ser feitas com outras técnicas, como o uso da máquina perfurante conhecida como tatuzão. No entanto, o doutor em engenharia de minas José Batista alerta para as limitações do equipamento, como a profundidade e a dureza da rocha. Professor de engenharia de minas da Escola Politécnica da Ufba, ele diz que o tatuzão só funciona para rochas brandas. Para
a fragmentação de pedras com maior resistência, o único método possível seria a detonação.
Tecnicamente, teria ocorrido um deslocamento de ar acima do esperado. Macedo explica que a estimativa desses impactos consta do chamado “plano de fogo”, que tem de ser elaborado antes de cada detonação. Prova de que existe um risco inerente à atividade é a necessidade de fazer evacuação das residências situadas nos arredores. O isolamento e esvaziamento da vizinhança é um dos parâmetros determinados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como condicionante para esse tipo de procedimento.
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