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Especialistas vão analisar restos mortais

JORNAL A TARDE
Por JORNAL A TARDE

FRANCE PRESSE



GARCHES, FRANÇA –
Um grupo de cientistas espera solucionar um dos muitos enigmas em torno de Joana d’Arc: Pertenceriam mesmo à heroína francesa do século XV uma costela e outros fragmentos recolhidos depois de ela ter sido queimada na fogueira por heresia?



A guerreira que se tornou santa continua onipresente na imaginação francesa, cerca de 600 anos depois de suas cinzas terem sido, presumidamente, lançadas no Rio Sena. Mas muitos acreditam que alguns restos mortais teriam sido recolhidos da pira onde Joana d’Arc, então com 19 anos, foi queimada viva. Um grupo de 18 especialistas planeja agora realizar uma bateria de testes para determinar se os restos – incluindo uma costela e fragmentos de pêlo – na verdade pertencem a ela.



Seja qual for o resultado, que será baseado em recentes avanços das pesquisas genéticas, ele poderia ser um incentivo a cientistas forenses que atualmente pesquisam restos mortais de outras figuras históricas. A pesquisa, que deverá ter duração de seis meses, não poderá dizer com 100% de certeza se os restos pertencem a Joana d’Arc, já que não existe amostra de DNA conhecida da heroína para compará-los, segundo o Dr. Philip Charlier, do Hospital Raymond-Poincare, em Garches, oeste de Paris.



Mas, de acordo com ele, as análises determinarão, com “absoluta certeza”, se os restos não pertencem a ela. As complexidades são muitas. Charlier, um dos participantes do grupo de pesquisa, afirmou que Joana d’Arc foi queimada três vezes em 30 de maio de 1431, logo após seu julgamento na cidade de Rouen, Normandia.



Primeiro, ela morreu asfixiada pela fumaça. Depois, foi queimada mais uma vez, mas seus órgãos internos não foram totalmente consumidos pelas chamas. E, finalmente, nada foi dito sobre os restos mortais após a terceira cremação, exceto sobre a existência das cinzas.



A costela, medindo 15 centímetros, está envolvido por uma substância enegrecida, e está “muito bem preservada”, disse Charlier.



O especialista afirmou que primeiro será aplicado um teste de DNA para determinar se o osso pertence mesmo a uma mulher. Depois, análises determinarão a idade exata da costela e, a partir daí, os pesquisadores construirão um “corpo de suposições” para mostrar o melhor possível se o osso realmente era de Joana d’Arc.

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