SALVADOR
Fim de contratos gera expectativas sobre futuro do projeto Viver


No próximo dia 25, contratos dos funcionários que atuam no Serviço de Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual - Projeto Viver, via Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), será encerrado. A finalização deste vínculo empregatício tem preocupado autoridades, órgãos e especialistas em direitos humanos do estado: eles temem que os serviços da entidade sejam interrompidos.
A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), responsável pelo projeto, informou que os atendimentos no projeto Viver não serão interrompidos, e que a demanda continua sendo atendida.
A intenção, segundo a assessoria de comunicação da secretaria, é reformular o Viver que, hoje, conta com 10 profissionais no quadro técnico. Na nova formatação, o projeto vai envolver, além da SJDHDS, as secretarias de Política para as Mulheres (SPM), da Saúde (Sesab) e de Segurança Pública (SSP).
"A minuta de alteração do Projeto Viver já foi apresentada e validada pela SPM e será ainda encaminhada a Sesab e SSP para consolidação e o posterior encaminhamento ao governador Rui Costa. É importante ressaltar que o governo está fazendo todos os esforços para evitar que o serviço não seja penalizado", informou a Secretaria de Justiça, por meio de nota.
Embora a secretaria confirme o funcionamento do Viver, a Defensoria Pública do Estado da Bahia tem coletado relatos sobre problemas para conseguir atendimento. De acordo com a defensora pública Laíssa Araújo, que acompanha a situação do projeto desde o ano passado, ontem uma criança de 5 anos que sofreu violência sexual praticada por um familiar teve o atendimento recusado.
"Se até o final deste mês o governo não tomar uma posição sobre esta questão dos funcionários, o projeto Viver não terá condições de dar continuidade aos atendimentos, pois não haverá estrutura de pessoal suficiente para tanto", disse Laíssa.
Segundo a defensora pública, o governo já foi acionado judicialmente para solucionar o problema. Paralelamente, a Defensoria está mobilizando entidades de direitos humanos para se manifestar em ato simbólicos e chamar a atenção da sociedade para a importância do serviço.
"O Viver é o único projeto multidisciplinar da Bahia, que atende não só a vítima, mas todo o seio familiar que, nesses casos, também precisa de auxílio", ressaltou.
Sobrecarga
Uma possível interrupção dos serviços do Viver preocupa, ainda, a secretária municipal de Política para as Mulheres, Taissa Gama. Segundo ela, na última semana, a secretaria recebeu um comunicado de que 10 pessoas que eram atendidas no projeto serão transferidas para o Centro de Referência de Atenção à Mulher Loreta Valadares, mantido pela prefeitura.
A secretária acredita que a chegada de mais esta demanda pode sobrecarregar as atividades já executadas pelo Loreta Valadares que, segundo ela, já funciona com dificuldades estruturais e de pessoal.
"São pessoas que necessitam de um atendimento individualizado. Algumas ainda estão machucadas, precisam de uma atenção ainda maior. Não temos estrutura física e nem de pessoal para atender mais pessoas", afirmou.