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Hemoba mobiliza sociedade para doações

Com estoques em níveis críticos, a fundação busca estimular o comparecimento periódico dos voluntários

Priscila Dórea
Por Priscila Dórea
| Atualizada em
Adalgisa doa plaquetas e sangue regularmente desde 1999
Adalgisa doa plaquetas e sangue regularmente desde 1999 - Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

Com estoque crítico de bolsas de sangue, principalmente nas cidades do interior da Bahia, a Hemoba (Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia) volta a convidar voluntários para que doem sangue. Poucos sabem, mas o material colhido durante as doações possui prazo de validade - 5 dias para as plaquetas, até 42 dias para hemácias e cerca de 1 ano para o plasma -, por isso é importante que as doações se mantenham firmes durante todo o ano.

Para manter o estoque de bolsas de sangue em um nível considerado seguro e pronto para atender as demandas dos hospitais do SUS e conveniados, o ideal é que o Hemoba receba mensalmente cerca de 15 mil voluntários. Em agosto, a fundação recebeu 12.878 candidatos à doação e coletou 9.846 bolsas. Como estratégia, a Hemoba realiza inúmeras campanhas em escolas, faculdades, comunidades religiosas e com as Forças Armadas, além de campanhas especiais em datas comemorativas, mas a constante busca do setor de captação da Hemoba é garantir que o número de doações espontâneas cresça.

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“É muito importante estabelecermos essas doações espontâneas e termos esses doadores voluntários fidelizados. Todo dia tem alguém precisando de sangue, temos pacientes com doenças hematológicas diversas que precisam, por exemplo, de transfusão todo mês. Há ainda o cadastro para ser doador de medula, onde a compatibilidade já é difícil dentro da família e mais difícil ainda encontrar quando não é aparentado, mas quando há a possibilidade dessa doação, a vida do paciente depende daquele doador", explica a coordenadora médica da coleta do Hemoba, Aline Dórea.

A médica também chama atenção para as campanhas individuais que muitas pessoas fazem nas redes sociais quando algum familiar ou amigo precisa de sangue. “Participar dessas campanhas também é uma forma de perceber que doar sangue pode dar uma nova chance não só para alguém que você conhece, mas também para muitas outras pessoas", pontua. E essa mobilização para ajudar conhecidos pode ser a porta de entrada para que as pessoas se tornem doadoras constantes, como foi o caso da aposentada Adalgisa Santana Pereira, 63 anos.

Ela é doadora voluntária desde 1999, mas antes disso só doava quando amigos ou familiares precisavam. “Na época, eu estava acompanhando um parente internado no Hospital Roberto Santos, quando vi uma pessoa desesperada por não poder ser doadora de sangue do familiar que estava acompanhando, eu então doei em nome do paciente e a partir daí não parei mais”, conta.

Hoje, Adalgisa doa sangue total de três em três meses e plaquetas todo mês, um componente relativamente difícil de encontrar doadores, por ser uma coleta mais demorada - em média 90 minutos, enquanto a doação normal leva de 20 a 30 minutos -, e por nem todo mundo ser apto a fazer a doação, principalmente por precisar ter um acesso venoso melhor, ou seja, uma veia mais grossa. As plaquetas ajudam muito no tratamento de crianças com câncer, por exemplo, e por essa razão o biólogo Cristian Moura Petter, 48, ficou muito feliz quando soube que poderia doar.

“Sempre tive vontade de doar e faço há apenas 10 anos pois achava que não podia. As normas antigas não permitiam que pessoas que já tiveram hepatite A doassem, mesmo que tivessem tido ainda na infância, como foi o meu caso. As normas mudaram e demorei para descobrir isso, mas assim que soube, me tornei doador. Logo entrei para o cadastro de doador de medula e, pouco depois, me convidaram para ser doador de plaqueta, já que tenho uma veia com bom acesso. A verdade é que doar sangue não nos custa nada, mas pode significar a continuidade ou não da vida de muitas outras pessoas”, explica o biólogo.

Já para a médica veterinária Ludmila Rodrigues Moroz, 42, que é doadora há cerca de 25 anos, a doação de sangue não é só um procedimento simples, mas também algo bastante óbvio para que as pessoas façam. “Ser um doador voluntário inibe a necessidade que haja corridas urgentes por sangue. Doar sangue é levar esperança para quem está esperando por saúde e por recuperação, é ajudar pessoas que estão em situações muito complicadas. Poder ajudar essas pessoas, fazendo algo tão rápido e simples é muito óbvio para mim, pois estamos doando esperança e tempo de vida para quem precisa”, enfatiza.

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