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Homem é sequestrado e morto após família pagar parte de resgate

Euzeni Daltro
Por Euzeni Daltro
| Atualizada em
Corpo da vítima foi achado carbonizado dentro de um carro
Corpo da vítima foi achado carbonizado dentro de um carro - Foto: Edilson Lima | Ag. A TARDE

Era por volta de 1h da manhã de ontem, quando o rodoviário Gilmar Gonçalves Sousa, 51 anos, foi acordado com a notícia de que o enteado Tarcílio Teixeira dos Santos Filho, 33, havia sido sequestrado. Mais que isso, os bandidos exigiam R$ 100 mil para deixá-lo vivo.

(Os bandidos) pediram R$ 100 mil, mas eu sou trabalhador, como tenho esse dinheiro?

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A família conseguiu apenas R$ 5,5 mil e combinou com os sequestradores de entregar esse valor durante a madrugada, na Estrada Velha do Aeroporto, e tentar conseguir o restante pela manhã. Gilmar mesmo foi entregar o dinheiro aos bandidos e ainda ouviu de um dos suspeitos que nada seria feito contra o rapaz. Dois homens em um carro Toyota Corolla vermelho foram buscar o dinheiro.

No entanto, o rodoviário e o restante da família acreditam que o corpo encontrado carbonizado dentro de um carro no início da manhã de ontem, em uma transversal à Via Regional, é de Tarcílio.

Isso porque, a placa OUF-3378 encontrada pela equipe de perícia do Departamento de Polícia Técnica (DPT) embaixo do veículo corresponde ao Fiat Punto prata usado pelo rapaz no momento em que foi sequestrado.

Gilmar contou que Tarcílio pediu o carro emprestado ao irmão para ir a uma festa na noite de segunda-feira (5), no Rancho Uga Uga, na Estrada Velha de Periperi. Uma versão dá conta de que o rapaz foi sequestrado quando deixava a casa de shows em companhia de amigos. Em outra versão, ele foi retirado do espaço.

R$ 5.500

Sandálias da esposa - Familiares souberam de um veículo incendiado na Via Regional por meio de um grupo do aplicativo WhatsApp e, diante das circunstâncias, foram ao local.

Além do sequestro e da placa coincidir com o modelo do carro usado por Tarcílio, um par de sandálias pertencente à esposa dele foi encontrado no local do crime por um primo. “Quando mostrei as sandálias, ela começou a chorar. Disse que eram dela e que estavam dentro do carro que estava com Tarcílio”, contou o primo.

Em depoimento no Departamento de Homicídios (DHPP), familiares afirmaram terem reconhecido também parte das vestes e o sapato que a vítima usava, que não foram totalmente destruídos pelo fogo. Conforme informações da assessoria de imprensa da Polícia Civil, parentes informaram ainda que Tarcílio já esteve envolvido com tráfico de drogas e chegou a ser preso, mas não deram detalhes.

A Polícia Civil informou que só após a realização de exames complementares do DPT será possível confirmar se o corpo encontrado é de Tarcílio. E que busca levantar dados sobre as pessoas que teriam retirado o rapaz da festa. O caso será investigado, inicialmente, como extorsão mediante sequestro seguida de morte.

Crime na madrugada - O veículo foi encontrado em uma transversal à Via Regional, próximo à ladeira que dá acesso ao bairro de Cajazeira 8. Moradores da região afirmaram terem ouvido disparos de arma de fogo entre às 4h e 5h da manhã. Uma mancha e um rastro até a porta do carro, aparentemente de sangue, são indícios de que a vítima foi executada a tiros no local e depois foi colocada dentro do veículo para ser carbonizada, conforme informações da equipe de perícia do DPT.

A perícia identificou ainda que o crime ocorreu durante a madrugada de ontem e o carro teve os quatro pneus retirados antes de ser incendiado. O padrasto, um irmão e um primo de Tarcílio informaram que os pneus tinham as jantes e calotas personalizadas. Por volta das 6h30, populares informaram sobre o veículo incendiado a guarnições da Guarda Municipal que seguiam para uma operação da Semop, em Cajazeira 10. Os guardas informaram à polícia e acompanharam toda a ocorrência.

Desabafo - “Os bandidos pediram R$ 100 mil. Que R$ 100 mil eu tenho? Eu sou trabalhador”, afirmou o rodoviário Gilmar. “Tomaram R$ 5,5 mil meu para fazer isso com meu filho”, completou ele, com lágrimas nos olhos.

Desse valor, R$ 3,5 mil a família guardava para arrumar a casa nesse final de ano e os R$ 2 mil restantes foram sacados do cartão de crédito de um dos irmãos da vítima.

“Eu ainda falei com ele [Tarcílio] e ele disse chorando ‘Meu pai, pelo amor de Deus, veja se consegue esse dinheiro’. E eu disse que ia conseguir”, contou Gilmar. Ele ajudou a cuidar de Tarcílio desde quando o rapaz tinha 6 anos.

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