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Homem é suspeito de atear fogo em namorada no Calabetão

Andrezza Moura
Por Andrezza Moura
| Atualizada em
Restos de objetos usados por Lene na tentativa de apagar o fogo do corpo; em destaque, o casal
Restos de objetos usados por Lene na tentativa de apagar o fogo do corpo; em destaque, o casal - Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE

Nos quatro anos de relacionamento entre a dona de casa Jacilene da Silva Pereira, a Lene, e o montador de móveis Danilo Santos da Hora, ambos de 27 anos, os familiares dela perderam as contas de quantas vezes precisaram intervir na briga do casal e evitar que algo pior acontecesse.

Isso até a madrugada do domingo, 27, pois eles não tiveram tempo de impedir que Danilo jogasse álcool no corpo da mulher e ateasse fogo. Ele fugiu. Lene teve queimaduras de 2º grau no rosto do lado esquerdo, na boca, no pescoço, no braço esquerdo e no peito esquerdo. Ela foi agredida enquanto dormia em casa, na Rua da União, na 2ª Travessa da Mangueira, no Calabetão.

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Até a noite desta segunda-feira, 28, Lene seguia internada no Hospital Geral do Estado (HGE) em estado estável, segundo o delegado Umberto Bartoli, da 11ª DT (Tancredo Neves). “O risco de vida sempre existe, pois tem o perigo de infecção hospitalar. Mas ela está falando, está lúcida e consciente”, disse o delegado.

Bartoli revelou que, em uma conversa informal com os investigadores da 11ª DT, Lene não deixou nenhuma dúvida de que Danilo é o autor do crime. “Ela [Lene] contou que ele pegou o álcool e começou a colocar fogo em alguns utensílios da casa e depois jogou álcool nela e tocou fogo”, disse o delegado.

Nesta segunda, após ouvir a mãe, a irmã e um irmão de Lene, o delegado instaurou um inquérito policial e irá encaminhá-lo à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam).

Mãe viu tudo

Ele [Danilo] me gritou e disse: ‘Dona Ana, vá ver lá sua filha pegando fogo’. Quando desci e vi minha filha no chão com o corpo todo queimado, quase morri”, lembrou Ana Maria dos Santos, 45, o que sentiu quando viu Lene implorando por ajuda.

Conforme Fábio dos Santos, 22, horas antes do crime, a cunhada e Danilo estavam em uma festa no bairro e se desentenderam depois que ela pediu para voltar para casa. “Ele disse que não ia. Quando ela disse que iria só, ele foi atrás. Ela disse que não queria brigar, trocou de roupa e foi dormir. Aí ele se aproveitou e fez isso”, relatou Fábio, o que ouviu de Lene.

A babá Jaciara da Silva, 26, relatou que as agressões sofridas pela irmã eram tantas, que a filha de Lene, uma garota de 10 anos, fruto de um outro relacionamento da jovem, está abalada emocionalmente. “Todas as vezes quando eles estavam brigando, ela ia correndo para minha casa e nos chamava para separar. Graças a Deus, ontem [domingo] ela não estava em casa”, contou.

De acordo com dona Ana Maria, no início de setembro, depois de mais uma briga, a filha arrumou as roupas de Danilo e o colocou para fora de casa. No entanto, no dia seguinte, ele retornou, arrombou o portão que dá acessoa à casa de Lene, quebrou o vidro da porta e entrou. Dona Ana e os seis filhos, dois rapazes e quatro mulheres, são vizinhos e moram em casas construídas no mesmo terreno.

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