SALVADOR
Intervenção cardíaca pioneira tem primeiro paciente na Bahia
Aos 82 anos, o aposentado Francisco Manoel de Freitas passou pelo primeiro procedimento de sucesso de uma correção de cateter de insuficiência cardíaca por válvula mitral, realizado na Bahia – o que tornou o estado pioneiro no Norte e Nordeste neste tipo de intervenção.
A operação foi realizada em Salvador, dentro do Programa de Tratamento de Doenças Estruturais do Coração do Hospital Cárdio Pulmonar (HCP). No Brasil, pouco mais de 100 casos foram tratados com a técnica, ainda considerada nova no país.
O paciente, com contraindicação para cirurgia cardíaca aberta, foi submetido ao procedimento percutâneo e recebeu alta três dias depois. Ele sofria de insuficiência cardíaca grave e tinha histórico de diversas internações.
A insuficiência ou incompetência da válvula mitral é uma causa frequente de descompensação em pacientes com insuficiência cardíaca. Está presente em até 50% dos pacientes e está associada a uma evolução clínica ainda mais desfavorável.
Ela pode ocorrer por vários mecanismos, mas os principais são: degeneração da estrutura da válvula; alargamento da válvula secundária até um crescimento do coração.
Segundo o coordenador de medicina cardiovascular do HCP, Eduardo Darzé, a insuficiência cardíaca causada pela degeneração da válvula mitral caracteriza-se pelo seu fechamento incorreto, provocando uma espécie de refluxo. “Nestes casos, o sangue que deveria sair do coração acaba retornando ao átrio esquerdo, causando a insuficiência cardíaca e a sobrecarga do coração”, explica.
A insuficiência da válvula mitral causa uma sobrecarga de sangue no coração e, com o tempo, acontece um crescimento, uma dilatação progressiva do coração e insuficiência cardíaca
Internações
Mais de uma semana após passar pelo procedimento, Francisco se considera “otimamente bem”. Ele conta que estava em uma situação que não conseguia sequer escovar os dentes. “Eu precisava de apoio para tudo, até para tomar banho. Graças a Deus estou bem, já dancei até uma seresta com minha neta”, brincou.
Recordando seu quadro anterior à cirurgia, ele relembra que, no ano passado, se internou seis vezes, sendo informado de que teria que ser transferido para São Paulo. “Mas doutor Carlos, uma pessoa maravilhosa, fez um excelente trabalho e hoje estou aqui. Já fiz uma caminhada de 40 minutos, um pouco mais do que costumo, para testar se deu certo mesmo”, contou, sorrindo.
Responsável pelo procedimento feito em Francisco Manoel, o médico Carlos Vinícius Abreu, especialista em cardiologia e cardiologia intervencionista, explica o tratamento feito.
“A insuficiência da válvula mitral causa uma sobrecarga de sangue no coração e, com o tempo, acontece um crescimento, uma dilatação progressiva do coração e insuficiência cardíaca, que se apresenta com falta de ar, cansaço, inchaço nas pernas, que foram os sintomas que o paciente que tratamos apresentava”, acrescentou.
Carlos Vinícius destaca que a avaliação para a indicação da técnica é feita por uma equipe multidisciplinar e precisa do aval do cirurgião cardíaco, que também acompanha a intervenção.
No procedimento, que dura cerca de duas horas é feito numa unidade de hemodinâmica, o médico acessa o coração do paciente introduzindo um cateter na região inguinal, localiza o ponto de insuficiência e implanta um mitraclip (ou mais) para fechar a válvula. Toda a intervenção é guiada por ecocardiografia.
*Sob supervisão do editor-coordenador Luiz Lasserre