EDUCAÇÃO
Mães denunciam falta de professores auxiliares na rede municipal
Presença dos professores específicos é fundamental para a inclusão e atendimento dos estudantes


Mães de alunos com deficiência do bairro de Jardim das Margaridas denunciam a falta de Auxiliares de Desenvolvimento Infantil (ADI’s) em escola municipal. Prevista por lei, a presença destes professores específicos em sala de aula é fundamental para a inclusão e atendimento às necessidades especiais desses estudantes.
Na escola Jardim das Margaridas, há 56 alunos matriculados com algum tipo de deficiência e atualmente conta com somente 5 ADI’s. Adilma Silva, mãe de um dos alunos e presidente da Associação de Pessoas com Deficiência do bairro Jardim das Margaridas (APDJM) explica que a presença destes auxiliares é necessária para o dia a dia desses estudantes, desde acompanhamento em idas ao banheiro até o cuidado para evitar acidentes. “Tudo isso é um suporte. É a observação do profissional para aquele aluno. O que está acontecendo é que as escolas não têm a quantidade correta de ADI’s e a direção se vira, vai fazendo aquele rodízio”. Adilma ainda conta que desde que efetuou a matrícula do filho, em 2018, aguarda a chegada do auxiliar.
As mães também alegam que muitos dos profissionais direcionados aos colégios não são devidamente qualificados para lidar com alunos com deficiência. “São funcionárias comuns contratadas para o emprego, mas não têm nem o curso de primeiros socorros, que seria o básico”, afirma Janice Moreira, mãe de uma jovem com deficiência. “Por exemplo, se ela está com uma pessoa com deficiência, em uma situação de urgência e emergência, ela não sabe o que fazer”.
Falta inclusão
O Instituto Pais e Anjos da Bahia (Ipab) atende aproximadamente 150 crianças com deficiência frequentadoras das escolas da região. No entanto, muitas deixam de ir por falta de profissionais. É o que diz o coordenador e fundador do Instituto, Valdinei Santos. “Todas as escolas de Salvador têm problemas estruturais de inclusão. Não estão preparados para atender o público de alunos PCD’s”, declara ele. “Além do planejamento pedagógico não inclusivo, onde isola a criança com uma auxiliar, quando tem. Escutando músicas enquanto as outras crianças estão fazendo atividades lúdicas e sensoriais. Isso não é inclusão”.
Outro problema é a ausência de ADI’s para o período noturno. Ao precisar matricular a filha, Janice conta que foi informada de que não haveria ADI’s disponíveis. “Minha filha já tem 15 anos e como ela não esteve no ambiente escolar anteriormente, agora só pode ingressar no período noturno. Independente dela ser portadora de deficiência ou não, o sistema não acata que ela vá pro dia. A coordenadora me assegurou de que não teria ADI porque eles não enviam para o horário noturno”, relata.
Além da carência de ADI’s, também ocorre falta de merenda escolar direcionada às crianças com necessidades especiais. A deficiência gera dificuldade ao engolir, demandando alimentos pastosos e líquidos. “A maioria das escolas oferecem alimentos de difícil deglutição”, alerta Valdisnei. Procurada por A TARDE, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) e a gestão da escola não responderam até o fechamento desta edição.
*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira