SALVADOR
Moradores alegam que trânsito de Stella Mares favorece acidentes
Residentes do bairro, localizado na orla da capital, apontam excesso de acidentes em cruzamentos


Moradores do bairro de Stella Maris, na orla de Salvador, denunciaram o excesso de acidentes de trânsito em dois cruzamentos da região. Os recentes episódios de colisões e mortes têm acontecido envolvendo carros e motos, em dois pontos específicos, no encontro entre a Rua Capitão Melo com as alamedas Praia de Camboriú e Guaratuba e no encontro da Capitão Melo com as ruas Missionário Otto Nelson e Álvaro Desidério.
“Ultimamente têm acontecido muitos acidentes de moto, inclusive com mortes, e tá sempre acontecendo um acidente ali naquela curva do Solar do Atlântico, antes de chegar no Hiperideal”, relata Ivone de Jesus, moradora do condomínio, que vem sendo palco principal dos acidentes do cruzamento. O último episódio envolveu um casal numa moto, que perdeu o controle, resultando na morte dos dois.
“O carro que estava na esquerda fechou o que estava à direita, e que estava em alta velocidade. Passou direto e bateu no condomínio”, explica Luana Reis, empresária de um bar das proximidades. Ela aponta que a ausência de sinalização colabora para a quantidade de acidentes do local. “A questão ali é que a gente está com duas vias sem sinalização nenhuma e ainda com as irregularidades do trânsito”.
Os acidentes em torno do Condomínio Solar do Atlântico são frequentes. A moradora Yanka Bordoni se mudou para o condomínio em 2020 e, desde então, já testemunhou mais de dez acidentes só no cruzamento em frente ao residencial. “As motos cruzam pela contramão e acabam vindo carros na mão certa. Acontecem vários acidentes dessa forma”.
O número de colisões contra o muro também são alarmantes. Ivone relata que, ao longo de seus 15 anos morando no local, o muro já foi invadido quatro vezes.
“A gente queria que tivesse alguma solução, alguma mudança, ou que tivesse mais fiscalização, porque tá muito precário, principalmente pra gente que atravessa para ter acesso ao mercado”, diz Yanka.
A tensão é compartilhada pelos outros condôminos, como é o caso da contadora Cristiane Cedraz. “Nós temos um condomínio com muitos idosos e que moram ali porque tem tudo muito perto. Então saem caminhando, vão comprar as coisas andando. Eles precisam ter a segurança de sair das suas casas e voltar vivos”, relata.
Problemas antigos
Residente do bairro há 35 anos, seu Pedro também observa que os problemas não são recentes e precisam de mudanças na engenharia de trânsito do local. “Uma das coisas que tem que acontecer aqui nessa curva bastante acentuada, nessa vinda de Itapuã pra cá, é botar um semáforo”, indica ele. “Outra alternativa, é desviar. Tem um acesso ali próximo ao Catussaba, as pessoas que vêm de Itapuã entram ali e já saem em Stella Maris, próximo a praia”, indica.
No cruzamento da Capitão Melo com a Missionário Otto Nelson e Álvaro Desidério, os transeuntes também têm sofrido com acidentes semelhantes. “Hoje em dia o trânsito é intenso devido ao crescimento do bairro, e o fácil acesso a Lauro de Freitas”, conta Marinaldo Amado, vendedor de abará da região que tem presenciado os transtornos.
“A sinaleira só contempla a via principal. Quem sai das ruas laterais tem livre escolha de direção, o que ocasiona sempre alguns acidentes. Já presenciei vários. Principalmente com motos e veículos”, diz Amado.
Assim como no ponto do Hiperideal, o cruzamento também já registrou episódios que acabaram em mortes. “Neste mês tiveram dois acidentes com vítimas fatais. Fora os pequenos, só com danos materiais”, relata o vendedor. A queixa é geral e abarca as duas regiões. “A gente tem que tomar as precauções para que isso não venha a acontecer de novo. A gente está perdendo vidas”, desabafa Pedro.
Medidas
O professor de planejamento urbano Armando Branco, explica que medidas devem ser tomadas em casos como os vividos em Stella Maris e Praia do Flamengo.
“Se isso está acontecendo com mais frequência, urgentemente precisa se fazer a sinalização. Precisa colocar as faixas de pedestres, as placas da sinalização vertical que são os primeiros dispositivos que tem, que na verdade, toda interseção, principalmente em uma cidade do porte de Salvador, tem que ter todas as suas ruas sinalizadas”, diz.
*Sob a supervisão do editor Rafael Tiago Nunes