SALVADOR
Sem acesso, não há avanço

Fabiana Mascarenhas
Já avançamos muito na área de cancerologia no que se refere às formas de tratamento e ao prolongamento da vida útil do paciente, mas esses avanços de nada adiantarão se as dificuldades de acesso ao tratamento pela população continuarem existindo. Essa é a avaliação do cancerologista Hiram Silveira Lucas, do Hospital Mário Kroeff, no Rio de Janeiro, sobre as principais dificuldades relacionadas ao câncer atualmente.
O especialista foi um dos participantes do 3º Simpósio Internacional de Atualização em Câncer de Mama e 2º Simpósio Internacional de Atualização em Câncer Gastrointestinal, encerrado ontem em Salvador. Durante o evento, foram apresentados trabalhos e discutidos a otimização de gastos e, incorporação de novas terapias para o tratamento do câncer.
O médico, que foi presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia, explica que apenas 19% dos 189 milhões de brasileiros possuem plano de saúde. Isso significa que 157 milhões de pessoas dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse universo há inúmeras pessoas que têm câncer, mas não têm acesso a terapias. Como vamos reduzir o índice de mortalidade, se não disponibilizarmos o acesso a esses pacientes?, questiona.
A médica do Núcleo de Oncologia da Bahia, Clarissa Mathias, destacou a importância de um diagnóstico precoce. Na maioria das vezes, o tumor é diagnosticado em estádios avançados, o que torna os recursos terapêuticos mais limitados e mutilantes. Independentemente do tipo de câncer, se o diagnóstico for feito no estágio inicial, as chances do paciente são muito maiores. Daí também a importância de campanhas que conscientizem a população, ressalta.