SALVADOR
Sou o diabo, sou pecador, sou limitado

Cleidiana Ramos e Agência Estado
O padre Manoel Filho, coordenador da Pastoral da Comunicação da Arquidiocese, acertou em cheio. Longe de encerrar a polêmica em que está envolvido há um mês, o padre José Pinto continua a botar mais lenha na fogueira da curiosidade midiática. Ontem, em um encontro com jornalistas, ele soltou o verbo contra a instituição da qual continua a fazer parte, pois apenas foi suspenso das suas atividades como pároco da Lapinha.
Padre Pinto acusou a Sociedade das Divinas Vocações, à qual está vinculado e que coordena a paróquia, de ter lhe dado um prazo de apenas três dias para se mudar do local onde trabalhou por 30 anos.
Eu não tenho para onde ir, pois fiz meus votos e doei meus bens à congregação. Meus pais agora são vocês, jornalistas, afirmou. O padre acusou a Igreja de ser uma instituição de aparências e que esconde sujeiras por baixo do pano. Disse também que foi drogado durante a festa da Lapinha.
Mandaram (a Arquidiocese) um médico que me deu remédio para epilepsia e loucura. Por isso, num determinado momento, quase não me agüentava em pé, disse. Questionado do porquê de antes defender a Igreja contra a qual agora faz várias acusações, afirmou: Eu camuflei durante muito tempo, como a Igreja gosta. Ela vive muito exatamente a hipocrisia, sabe quanta coisa tem por baixo do pano. O padre acusa o bispo auxiliar, dom Josafá Menezes, de tê-lo acusado de louco.
Quanto a dom Geraldo, diz que essa afirmação ficou nas entrelinhas, quando o cardeal o mandou descansar. Disse também que o seu superior na Arquidiocese recomendou que ele fosse para Roma e que ficasse longe da imprensa.
E descanso é o que não faz parte dos planos do padre Pinto. Ele anunciou que pretende participar do Carnaval. Também planeja fazer uma exposição das suas obras no próximo domingo, iniciativa que ensaiou, mas recuou durante sua estada em Cacha Pregos, na Ilha de Itaparica, no mês passado.
O sacerdote afirmou também que foi convidado por igrejas evangélicas para fazer parte delas. Disse isso a dom Geraldo, de quem ouvi: Eles (os pastores) são enganosos. Eu retruquei são enganosos, mas eles são muito mais fraternos que vocês, são mais missionários que vocês, são mais observantes do Evangelho que vocês, que pregam o Evangelho e vivem pisoteando as pessoas, relatou.
Em relação à possibilidade de um entendimento com a Arquidiocese, padre Pinto disse que a base da fé é o perdão. Se eles acham que eu pequei, por que não me perdoar? Não condeno ninguém. Na verdade, a Igreja tem uma doutrina, uma disciplina que é justíssima. Ela continua sendo mãe, até nas melhores famílias se tem uma rusguinha, disse.
Ao ser perguntado sobre excomunhão o desligamento da comunidade católica , acontecimento, inclusive, raro nos dias de hoje, padre Pinto afirmou que não vê motivos para tal e joga mais dardos em direção aos colegas, embora não cite nomes.
Não estuprei ninguém, não pratiquei pedofilia, não tenho os maridos dentro das casas como alguém tem ou alguns têm, não roubei como alguns roubaram, não furei as contas da diocese como alguns fizeram. Agora sou santo? Não, sou o diabo, sou pecador, sou limitado, sou fragilérrimo, sou uma pessoa humana, destaca.