Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR

SALVADOR

Urbanização em área de dunas do Abaeté causa insatisfação

Moradores antigos da região, afirmam que há insatisfação geral com a obra

Antônio Dilson Neto*
Por Antônio Dilson Neto*
Construção de estrutura em andamento na região
Construção de estrutura em andamento na região - Foto: Olga Leiria | Ag. A TARDE

As obras de urbanização das dunas do Abaeté, em Itapuã, têm provocado descontentamento. O projeto, apresentado pelo prefeito Bruno Reis (DEM), prevê uma ampla urbanização nas dunas do Abaeté, situada em uma APA (Área de Proteção Ambiental). O espaço, inicialmente foi batizado de "Monte Santo Deus Proverá", tem sido alvo de críticas e protestos desde seu anúncio, em fevereiro.

Jaciara Ribeiro, ialorixá do terreiro Axé Abassá de Ogum, afirma que a construção, além de ser agressiva ao meio ambiente e descumprir a orientação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), que diz que o Parque das Dunas e a Lagoa do Abaeté não poderia sofrer mais impactos, também é ofensiva aos adeptos do candomblé, que têm as dunas do Abaeté como território sagrado. “A gente entende o espaço das duna como extensão das nossas casas religiosas. A gente cultua as folhas, protege o ambiente, e a obra contraria a orientação do PDDU. Eles estão rasgando as areias das dunas ao meio. Praticamente, está tudo pavimentado. A obra já foi até embargada pelo Ministério Público mas, continua e está quase pronta”, relata a ialorixá.

Tudo sobre Salvador em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Neilton Dórea, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia, reforça que a urbanização nas dunas é uma agressão patrimonial. “As dunas são um espaço sagrado para o candomblé. É preciso respeitar espaços como esse, não tem sentido nenhum a gestão pública fazer interferência desse tipo ali. Há a questão de preservação do patrimônio, que não é só o edificado. Tem a ver com importância histórica para uma comunidade que, nesse caso, está sendo contra e, aparentemente, não foi consultada”.

Moradores antigos da região, afirmam que há insatisfação geral com a obra. Bartolomeu Sousa, morador da região há 60 anos e ativista da proteção à área, reclama que a comunidade não teve voz no processo. “Ninguém foi ouvido aqui, protestamos mas nada aconteceu. A obra está avançando, e a gente continua protestando. Já houve até ameaça de agressão durante protestos contra a obra, isso é um absurdo”, reclamou.

Leonel Monteiro, presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia explica que a entidade tem acompanhado de perto os movimentos no Abaeté e que, mais uma vez, agirão no sentido de garantir a preservação do espaço. “ A gente vai acionar novamente as instâncias e órgãos competentes para que sejam feitas vistorias e a gente tenha a clareza de que o projeto está sendo tocado conforme o que foi colocado para o Ministério Público, sem afetar a questão ambiental e cultural do parque”.

Procurada para falar sobre o assunto, por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) não retornou até o fechamento desta edição.

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas