SALVADOR
Vigilante morre eletrocutado em Paripe

O vigilante Mário Fernando França da Cunha, 41 anos, morreu nesta segunda-feira, por volta das 11 horas, atingido por uma descarga elétrica de 11 mil volts. Ele tentava instalar uma antena de televisão na laje de sua residência – na Rua do Colégio, Paripe, subúrbio ferroviário de Salvador – quando a haste metálica de sustentação da peça, que ele segurava, tocou os fios de alta-tensão, que passam a menos de um metro do imóvel.
Mário teve morte instantânea. Um colega dele, cujo nome não foi revelado, estava no interior do imóvel e por pouco não foi também eletrocutado. “Ele só não levou o choque porque não estava com o fio da antena nas mãos”, relatou Cristino de Brito, cunhado da vítima. “Acho que Mário não agüentou o peso do ferro, que é comprido e pesado. Mas também as pessoas da rua já vinham cobrando providências da Coelba, porque os fios estão descobertos há muito tempo”, acusou Cristina de Brito Pinheiro, 38, esposa de Mário.
Técnicos da Coelba estiveram no local, onde desativaram o fornecimento de energia. “Por que não trocaram os cabos antes? Agora é que instalaram um fio-terra, que não tinha”, questionou Cristina, acrescentando que os postes foram instalados após a construção das casas. O vigilante deixou seis filhos.
A mesma fiação fez vítima uma vizinha de Mário – hoje com 14 anos – em 13 de novembro de 2005. A garota teria sido atraída pela corrente elétrica ao encostar na sacada do terceiro andar de casa. “Por milagre ela está viva. Ficou 78 dias internada. Sofreu queimaduras até por dentro do corpo”, contou Milca Pereira, mãe da adolescente. A menina carrega deformidades permanentes nos membros.
Por meio de nota pública, a Coelba disse lamentar o acidente e que está apurando o fato. Alegou que a rede elétrica “foi construída respeitando as distâncias regulamentares definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas”, além de informar que orienta a população para o risco de construir e manusear antenas próximo à rede elétrica.