SALVADOR
Vigilantes terceirizados protestam por atraso em pagamento de salário

Acusada de não pagar seus funcionários com os recursos repassados pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e pela Prefeitura de Salvador, a empresa Protector Segurança e Vigilância Ltda não enviou representantes à reunião de conciliação agendada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT/BA) para a tarde desta segunda-feira, 17. Seguranças e vigilantes da Protector deveriam ter recebido o salários desde o último dia 5. O encontro desta tarde pretendia solucionar a questão.
De acordo com o procurador Manoel Jorge e Silva Neto, o atraso no pagamento é "injustificável", uma vez que somente da Prefeitura a empresa recebeu repasses no valor total de R$2,5 milhões nas últimas duas semanas. Com a ausência de representantes da Protector, a mediação foi dada como encerrada pelo procurador. "Se não compareceu é porque não tem interesse em resolver o conflito", avalia Silva Neto. Agora, o processo trabahista está sujeito a ser encaminhado para a Justiça.
O secretário de Políticas Sindicais do Sindicato de Vigilantes Empregados em Empresas de Segurança e Vigilância do Estado da Bahia (Sindvigilantes-BA), Vladimir Cardoso, afirmou estar revoltado com a situação. "Tem dinheiro de sobra pra pagar", diz. Além do atraso no pagamento do salário, os trabalhadores se queixam que a empresa teria deixado de depositar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e de efetuar a requalificação dos profissionais (reciclagem) que deve ser feita a cada dois anos. Férias vencidas e atrasos na entrega de vales-transporte e tíquetes-alimentação são outras reclamações.
Protesto - Insatisfeitos com a situação, vigilantes que prestam serviço à Universidade Federal da Bahia (Ufba) realizaram uma manifestação na manhã desta segunda em frente à Reitoria da universidade, no bairro do Canela, com o objetivo de serem recebidos pelo reitor, Naomar Almeida, ou o vice-reitor, Francisco Mesquita, para que intercedessem junto à empresa pela liberação do pagamento do salário.
Sem sucesso, os manifestantes seguiram em passeata até o campus de Ondina, onde realizaram protestos com carro de som durante toda a tarde, depois de terem fechado o portão de acesso aos carros por volta do meio-dia durante uma hora. O portão foi reaberto depois que o gerente-financeiro da Ufba informou que a instituição estava em dia com a Protector. O representante da Ufba também entrou em contato, por telefone, com a Protector, que teria prometido efetuar o pagamento nesta segunda.
A promessa, no entato, não foi cumprida e os protestos continuaram no campus durante a tarde. Segundo Vladimir Cardoso, do Sindvigilantes-BA, a Protector já teria descumprido acordos de pagamento de salário em outras ocasiões. O sindicalista afirma que as atividades dos seguranças e vigilantes permanecem paralisadas até que a situação seja normalizada.
Procurada pela reportagem, a Protector informou que nenhum representante da empresa estaria disponível nesta segunda para se pronunciar sobre o assunto.