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Vila Canária volta a sofrer com as chuvas

George Brito |  A Tarde
Por George Brito | A Tarde

A Vila Canária, voltou a sofrer com a forte chuva que cai em Salvador, nesta quinta-feira, 15. Várias casas ficaram alagadas e dois imóveis desabaram. Em um deles, uma mulher grávida chegou a ficar presa aos escombros. Socorrida por vizinhos, foi levada, com ferimentos leves na pernas, à maternidade Magalhães Neto, em Pau Miúdo, onde foi atendida e passa bem. Na última quarta, 14, duas crianças morreram soterradas no bairro.



Por volta das 8h, Ana Paula Ferreira do Santos, 21 anos, grávida de oito meses, estava dentro de casa com a filha de três anos, na rua Virgilino Rosa, quando um imóvel abandonado localizado acima de sua residência despencou da encosta com o deslizamento de terra e atingiu sua casa.



Segundo o cunhado de Paula, Antônio Carlos de Souza, 28, as duas sobreviveram porque foram prontamente socorridas pelos vizinhos, que escutaram os gritos de socorro. Assustada com a ocorrência, a moradora da casa ao lado, Joselita Santos da Silva, 34, abandonou o imóvel e se mudou provisoriamente para a casa de um vizinho.



Estado de Choque - Na rua Lindolfo Barbosa, cenário da tragédia de quarta, a dona-de-casa Nanci Santos Galvão, mãe das crianças vitimadas, encontrava-se em estado de choque. O enterro de Gabriel Santos Galvão, 6, e Pablo Juan, 2, deve ser realizado na sexta,16. Segundo Nanci, não foi possível enterrá-los nesta quinta por conta da chuva.



Pela manhã, Nanci circulava com um semblante desolado e perdido em meio às dezenas de pessoas em estado de tensão e desespero. “Não sei dizer moço“, afirmou ela com as mãos na cabeça, quando perguntada da casa que a prefeitura está construindo para desabrigados da chuva em Jardim Campo Verde, antiga comunidade de Barródromo, na Estrada do CIA/Aeroporto.



O tio dos garotos, João Paulo Pereira, afirmou ao A TARDE que Nanci aguardava a entrega das chaves do imóvel, adiada nos dois últimos domingos. A prefeitura fez no dia 21 de março cerimônia de entrega das chaves, com sorteio de localização das 415 residências construídas para os desabrigados da chuva do ano passado. Segundo informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Infraestrutura (Setin), as chaves estão sendo entregues e a previsão da Defesa Civil é que todas estarão nas mão dos beneficiários até esta sexta.



Maria Luiza Oliveira da Silva foi uma das contempladas na rua. “Já estou de mudança“, afirmou exibindo o documento da prefeitura que lhe garante o direito ao imóvel. Às 10h30 de ontem, ela estava com malas prontas para levar a família - dois filhos e três sobrinhos - para Quadra A, casa 24, no Jardim Campo Verde.


Risco de morte iminente -
Por volta das 9h, a casa da empregada doméstica Albertina de Jesus Santos, 29, veio a baixo, agravando o estado de alerta dos moradores. Felizmente, não houve feridos. Depois de Gabriel e Pablo morrerem soterrados, Albertina resolveu abandonar o imóvel com seus três filhos (de 3, 6 e 10 anos), que foram abrigados nas casas de vizinhos. “No ano passado, o irresponsável do engenheiro da Codesal veio aqui e disse que a casa não estava condenada. Não perdi a vida porque Deus é maior“, afirmou indignada.



A cozinheira Maria Edna, 41, perdeu a geladeira, o rádio e a televisão, estragados pela água da chuva. A casa, onde mora com três crianças e um adolescente, estava completamente alagada. Na residência da mãe dela, Magnólia Araújo Santos, 63, parte do muro desabou.



O mesmo problema de alagamento enfrentou Adroaldo dos Santos Assunção, 47. “Está assim desde ontem. Eu mesmo construí, vou dar um jeito para minha esposa dormir“, afirmou sobre se iria continuar ou não dentro de casa. Os moradores usaram uma igreja para depositar pertences e imóveis que conseguiram salvar da chuva.



A residência de Adroaldo, o imóvel onde os dois filhos de Nanci moravam (uma antiga escola), junto a outras dezenas, estão localizadas às margens de um riacho, atualmente usado como esgoto. Logo atrás um grande talude descoberto leva perigo constante aos moradores, nas áreas de cima e de baixo do barranco.



Técnicos da Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop) estiveram no local pela manhã e disseram que será preciso derrubar várias casas, inclusive o que sobrou da antiga escola. Eles solicitaram tratores e caçambas para fazer o serviço de limpeza

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