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SALVADOR

Violência bate à porta da classe alta

Carina Rabelo
Por Carina Rabelo

Entre 1972 e 1982, apenas 76 assaltos, 3 mil furtos simples e 252 furtos de veículos foram registrados na Barra. Na Pituba, foram 216 assaltos, 2,6 mil furtos simples e 292 furtos de veículos no mesmo período. Na época, não houve registros na Graça, Vitória, Ondina e Itaigara.



Entre 1987 e 1997, a violência começou a atingir os chamados bairros nobres. Em 2005, a taxa de ocorrências mostra que a violência se expande sem fronteiras. Em 2005, na Graça, foram registrados 168 furtos, 124 roubos, um assalto a ônibus, 53 furtos e roubos de veículos. Na Barra, foram 1.484 furtos, 372 roubos, quatro assaltos a ônibus, 83 furtos e roubos de veículos. Na Pituba e no Itaigara, homicídios passam a assustar os moradores.



Na Pituba foram três mortes, 1.447 furtos, 1146 roubos, 25 roubo a ônibus e 288 roubos ou furtos de veículos. No Itaigara ocorreu um homicídio, 337 furtos, 155 roubos, dois assalto a ônibus e 44 furtos ou roubos de veículos. Em Ondina foram 409 furtos, 183 roubos, 14 assaltos a ônibus e 40 furtos e roubos de veículos. Bairros como Vitória e Horto Florestal também passam a fazer parte das estatísticas policiais, principalmente nos roubos e furtos.



Até agosto deste ano, já foram registrados dois homicídios em Ondina, um na Vitória, três na Barra, um no Itaigara e cinco na Pituba. Os furtos, roubos e assaltos a ônibus também aumentaram.



Para João Apolinário da Silva, especialista em criminalidade e transformações urbanas, a violência cresce proporcionalmente ao espaço urbano. “O crescimento desordenado de Salvador conduziu a camada pobre da população para moradias segregadas, degradadas, sem boas condições de sobrevivência. Por outro lado, as classes mais altas, com fortificações em suas moradias, são a prioridade nos investimentos públicos. Esta situação favorece a desigualdade e leva a violência para os bairros mais nobres da cidade”, analisa.



Roubos aumentam: Em todo o Estado, foram registrados 107,6 mil casos de roubos em dois anos. A Bahia ocupa o 2º lugar no ranking regional, com taxa de 421 pontos, perdendo apenas para o Ceará, que registra taxa proporcional de 898. No ranking nacional, o estado ocupa a 8ª posição. Os municípios baianos em destaque são Itabuna, Salvador, Porto Seguro, Lauro de Freitas, Camaçari, Vitória da Conquista e Feira de Santana.



Nos crimes contra o patrimônio, os roubos a pedestres representam 31% do total de ocorrências, seguido por roubos a veículos (16%), em estabelecimentos comerciais (4,3%), em transportes coletivos (3,3%) e em residências (2,2%). Os municípios baianos com as maiores taxas são Lauro de Freitas, Salvador, Vitória da Conquista, Camaçari, Feira de Santana e Itabuna.



O Estado registrou mais de 107 mil casos nos últimos dois anos e ocupa o 2º lugar no ranking regional e o 7º lugar no nacional, com 421 ocorrências para cada 100 mil habitantes. Lideram o ranking o Ceará (898), São Paulo (749), Rio de Janeiro (741), Rio Grande do Sul (669), Pará (647) e Rondônia (525).



Em todo o país, as polícias civis registraram 1,85 milhão de ocorrências nos últimos dois anos. Deste total, aproximadamente 55% ocorreram na região sudeste e 20% ocorreram na região nordeste. São Paulo foi o Estado onde ocorreu o maior número destes crimes, concentrando 30% dos crimes ocorridos no Brasil.

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