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Violência no entorno de projeto piloto da PM

Helga Cirino, do A TARDE
Por Helga Cirino, do A TARDE
| Atualizada em

Enquanto a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) comemora uma redução de 47% no índice de homicídios na região de Tancredo Neves, após a implantação do projeto piloto Rondas Policiais nos Bairros, com 250 militares realizando rondas 24 horas durante 90 dias, ali bem perto, no Jardim Nova Esperança, moradores e comerciantes continuam convivendo com a violência.

Se era insustentável a situação da Delegacia de Tancredo Neves, que registrou 174 homicídios, entre janeiro a agosto deste ano, a condição na unidade que atende ao Jardim Nova Esperança também não é das melhores. Com 121 assassinatos, nos primeiros oito meses, a 10ª CP (Pau da Lima) é a segunda no ranking de unidades que mais registram assassinatos por arma de fogo.

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O dado representa que a 10ª CP já catalogou 10,37% dos 1.166 crimes contra a vida ocorridos em toda a capital baiana no período. O número indica uma média de 15 mortes/mês, seis a menos que a líder 11ª CP, com 21 assassinatos a cada 30 dias. Moradores e comerciantes reclamaram dos freqüentes ataques e aguardam ansiosos pela ampliação do privilégio de contar com segurança no bairro.

Na edição de segunda-feira, 6, A TARDE denunciou o clima de pânico vivido por moradores. Uma família de oito pessoas foi expulsa da residência por traficantes que destruíram o imóvel e roubaram os bens. Sob ameaça de matar a todos, os bandidos exigiram a saída de Eric Conceição de Araújo, 32 anos, que fugiu com a família para não morrer.

“A polícia nunca passa e, quando passa, não demora cinco minutos. Eu já fui assaltado três vezes só neste mês”, afirmou o comerciante Paulo Soares, 32.

Também no Parque São Cristóvão, a comunidade sofre com a violência. Na Rua Leste, todos os comerciantes já tiveram mercearias, panificadoras e mercados assaltados. No ranking, a 12ª CP (Itapuã) é a quinta onde mais se registram homicídios – 98 mortes entre janeiro e agosto.

“Fui roubado quatro vezes”, reclamou o dono da Panificadora e Mercado Reis, Eurico Vitorino dos Reis, 60. Há três anos, os moradores da região chegaram a construir um módulo e consertar uma viatura da PM. “Não adiantou, o módulo fechou e não se via mais viatura”, lembrou Reis.

Integrante do grupo gestor do Fórum Comunitário de Combate à Violência (FCCV), a pesquisadora Tânia Cordeiro acredita que o recém-implantado projeto piloto Rondas Policiais nos Bairros é insuficiente: “Só o fato de ser uma atuação exclusivamente policial já a torna deficiente”. Tânia defende ações que envolvam todas as secretarias do Estado, não só Segurança Pública: “Violência tem causas sociais, não é problema só de polícia”.

ESCOLA – A Secretaria da Educação emitiu nota alegando que, “segundo o vice-diretor, Ioberto Suzart, há cinco anos o Colégio Estadual José Augusto Tourinho Dantas (Parque S. Cristóvão) não registra violência dentro da unidade”. Mas, à equipe de A TARDE, Suzart relatou, na última terça-feira, 7, que bandidos saquearam alunos do turno da noite na semana passada no interior do colégio.

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