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Virose desconhecida ataca Salvador

Carina Rabelo,A Tarde On Line
Por Carina Rabelo,A Tarde On Line

O pesadelo começa com uma dor no estômago insuportável. As pontadas parecem prenunciar uma crise de gastrite e são acompanhadas por diarréias, calafrios e uma sensação de mal-estar que permanece por três ou quatro dias. Estes são os sintomas da "virose" que tem atacado muitos moradores de Salvador nos últimos dois meses. Crianças e adultos, ricos e pobres, todos são vítimas em potencial da infecção que ainda não tem uma origem clara para os médicos.



"Eu mesma peguei esta virose e tenho ouvido muitas pessoas dizerem que também pegaram. A comunidade médica esperava a manifestação de algo parecido após o carnaval, mas não nesta época. Não conhecemos a origem do vírus, mas sabemos que ele é transmitido pelo contato entre as pessoas, por secreções ou pelo ar", comenta a chefe do ambulatório pediátrico do setor de infectologia do Hospital das Clínicas, Diana Sampaio.



O médico plantonista da emergência do Hospital Aliança, Alan Rêgo, confirma a alta incidência de pacientes com estes sintomas nos dois últimos meses. "Muitos pacientes com dores no estômago têm dado entrada na emergência do Aliança. A doença ocorre com o aumento de contato interpessoal e é muito favorecida nos períodos de frio, quando é comum a aglomeração de pessoas em ambientes fechados", explica.



Jassi Amaral, infectologista da emergência do Hospital das Clínicas, confirma a alta incidência de casos de gastrenterite (inflamação no estômago) no ambulatório mas discorda que o problema seja necessariamente causado por vírus.



"Ainda não há uma origem conhecida deste fenômeno, pode ser causado um vírus ou uma bactéria. Mas realmente, têm aumentado bastante os casos de pessoas com dores no estômago e diarréia. O que recomendamos é que as pessoas fiquem atentas à qualidade da água que bebem, evitem o contato com a chuva e cuidem da alimentação", alerta.



Vítimas - Valquíria Mota, 62, conta que ela, seu filho, de 42 anos, e sua neta, de apenas 2 anos, contraíram a "virose" no último mês. "Começa como se a pessoa não conseguisse fazer a digestão e o estômago fica alto. Depois, começam as diarréias e os vômitos. Meu filho chegou até a vomitar sangue. Minha neta ficou internada por 8 dias no Hospital Aliança e só saiu hoje. Foi um sufoco conseguir vaga nos hospitais, percorremos a cidade toda e os ambulatórios e emergências estavam lotados de pessoas com os mesmos sintomas", relata.



Segundo Valquíria, os médicos disseram que a virose começou após o Carnaval e superou o tempo de incidência que estava previsto. Geralmente, viroses pós-carnavalescas desaparecem em meados de abril.



A professora de dança Camila Oliveira também foi infectada de maneira fulminante. "Estava dando aula quando de repente senti uma pontada no estômago. Tive que pedir para meu marido me pegar no trabalho, pois nem conseguia dirigir. Fiquei três dias de cama só tomando líquido, pois tudo que comia, colocava pra fora. Depois de quatro dias, fiquei ótima, como se nada tivesse acontecido. Aí foi meu filho de três anos que pegou a doença. Tive que interná-lo no hospital e ele ficou no soro", relata.



Tratamento - Os médicos recomendam às pessoas que contraíram e estranha virose a ingestão de muito líquido, soro caseiro (água, sal e açúcar), frutas e alimentos leves para que o organismo seja hidratado. Caso os sintomas persistam, o paciente deve se dirigir à emergência de um hospital.



"É importante que se tenha uma atenção maior com crianças e idosos, pois estes podem precisar de um tratamento diferenciado e talvez até mesmo de uma internação com hidratação intravenosa", esclarece Jassi.

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